EDIÇÃO DIGITAL

Segunda-feira

13 de Julho de 2020

Editorial A Tribuna

A Tribuna é o maior e mais antigo jornal impresso a circular na Baixada Santista. São 126 anos contando e publicando histórias

Pequena empresa e grandes obras

No final das contas, consumo e mercado de trabalho são os pilares contra tempos difíceis

O plano que o Governo do Estado pretende adotar para atrair investimentos para os próximos dois anos é bem-vindo, considerando as dificuldades esperadas para o período pós-pandemia. Entre as linhas de ação estão apoio aos polos industriais, o que beneficia Cubatão, e projetos de infraestrutura, inclusive no transporte de passageiros por trens, com extensão à Baixada Santista. São ideias estruturantes, mas que precisam ser realizadas em paralelo a um pacote de medidas emergenciais para as pequenas empresas, incluindo comércio e prestadores de serviços. O impacto da pandemia já é mais do que conhecido – o isolamento social impôs fechamentos sem o devido preparo dos empresários e muitas restrições que derrubam ou impedem totalmente o consumo. Para isso há os programas federais, desde o auxílio de R$ 600 mais voltado aos autônomos, até a redução de jornada e salários ou suspensão de contratos de trabalho. O Ministério da Economia também lançou programa de crédito para o pequeno negócio, que não chega a esse público alvo. Para desatar esse nó, até o momento, só há promessas. Como se trata de empréstimo do setor bancário, o pequeno tomador enfrenta problemas estruturais, como calote, dificuldades para elaborar um plano de negócios e falta de acesso a um gerente disposto a atender pedido. Nesta situação, surge o instinto bancário. Trata-se de um valor menor para um cliente empresarial que historicamente luta pela sobrevivência e que, por isso, costuma dar muitos custos à instituição financeira. Daí o problema para essa linha federal ter algum sucesso. 

O Governo do Estado não tem os artifícios, como é o caso da União, para estimular a economia. O governador João Doria demonstra disposição para atrair negócios, o que no formato pré-pandemia não é mais possível – não há viagens e encontros de investidores para expor São Paulo. Entretanto, Doria já fez contatos, inclusive com os chineses, aliás com robusto caixa para aplicar em outros países, ampliando a influência chinesa pelo mundo. Há ainda o fator dos juros negativos se espalhando pelas potências econômicas e também o Brasil. Isso faz com que investimentos em infraestrutura nos países emergentes possam ser uma alternativa de melhor rentabilidade, apesar dos riscos que essas economias trazem. 

Mas o Governo do Estado precisa cuidar de todas as pontas da economia. Isso começa no encorajamento ao cidadão para consumir conforme suas possibilidades, o que depende da melhora dos índices de emprego. O pequeno empresário também precisa de apoio, que o setor público pode dar por meio do destravamento do crédito e da orientação da boa gestão dos negócios, uma função para quem sabe fazer isso muito bem, o Sebrae. Paralelamente, vêm as obras de infraestrutura, que movimentam muita prestação de serviços e geram empregos. No final das contas, consumo e trabalho são os pilares contra tempos difíceis.

Tudo sobre:
 
Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna.
As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.