Editorial A Tribuna

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Para depois da pandemia

Parte das famílias que antes empregavam diaristas também foi impactada pelas medidas de contingenciamento de salários

Os números da média móvel de contaminados e mortos, tanto no Brasil como nos estados e municípios, têm desenhado um cenário que, embora ainda inspirando cuidados, evidencia um quadro menos dramático e um futuro próximo aparentemente mais animador. Tanto é assim que, na semana passada, o Governo do Estado passou 76% dos municípios paulistas para a etapa verde do Plano São Paulo de enfrentamento à doença. Basicamente, uma boa notícia para os vários setores da economia, que agora se veem com menos travas para retomar e ampliar suas atividades. Em se confirmando as previsões anunciadas pelas autoridades do Estado e do Governo Federal, também não deve tardar a chegada e aplicação de vacinas a toda população.

As boas notícias não podem e não devem, porém, tirar do radar o legado que meses de inatividade vão deixar na sociedade, especialmente nas famílias mais carentes, onde o acesso a atividades remotas de formação educacional foi frágil, onde a dispensa do trabalho de diaristas foi mais sentido, onde o emprego formal, quando existe, também pode ter sido impactado pelas medidas adotadas pelo Governo.

Dados divulgados na semana passada pelo IBGE mostram que os trabalhadores domésticos ou ligados à prestação de serviços são os que mais sofrem com a pandemia da covid-19 no Brasil. E é natural que assim seja, visto que a necessidade de isolamento social desencadeou nas famílias que empregavam esses trabalhadores a imediata dispensa dessas tarefas. Números também apurados pelo IBGE para mensurar os efeitos da pandemia no Brasil indicam que ao menos 500 mil postos desse trabalho foram perdidos desde maio. Diferente de outros setores, o serviço doméstico tem ao menos dois fatores que jogam contra: o que diz respeito à própria prevenção do contágio, especialmente porque parte desses trabalhadores se utiliza de transporte público; e o que se refere à queda de renda das famílias que antes empregavam domésticas e diaristas.

Para esse público, portanto, o Governo precisará dar uma atenção diferenciada, ainda que os planos de flexibilização continuem progredindo e a economia retome. Vale lembrar que, com o fim do auxílio emergencial, esses trabalhadores sairão de casa em busca de emprego, ou mesmo bico. Os R$ 600,00 iniciais e os R$ 300,00 nesta segunda fase elevaram a renda média dessas famílias a patamares nunca vistos. Se por um lado esses recursos garantiram parte do sucesso na barreira da contaminação, agora representam um desafio a mais para os governos.

Para esse público, portanto, será preciso traçar caminhos específicos, considerando que a absorção dessa massa de desempregados não se dará no mesmo ritmo de outras atividades. Ampliar os programas de requalificação profissional pode ser uma alternativa, ao menos de médio prazo.

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