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Segunda-feira

20 de Janeiro de 2020

Editorial A Tribuna

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Oportunidades no setor imobiliário

Em São Paulo, a Prefeitura realizou leilão de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepac), da Operação Urbana Consorciada Faria Lima, que arrecadou R$ 1,64 bilhão

Vários municípios brasileiros permitem que, em determinadas regiões das cidades, o potencial construtivo possa ser elevado, e os empreendedores pagam por isso. Os recursos advindos dessas operações podem ter aplicações sociais, como em habitação e obras de infraestrutura, enquanto o mercado imobiliário é beneficiado, porque pode construir mais em determinados terrenos. 

Em São Paulo, a Prefeitura realizou leilão de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepac), da Operação Urbana Consorciada Faria Lima, que arrecadou R$ 1,64 bilhão. Os títulos foram negociados a R$ 17.601, ágio de 169%, demonstrando o grande interesse dos empreendedores pelo negócio. 

Estes Cepacs permitem elevar a área a ser construída em até quatro vezes em relação ao estabelecido na legislação urbana. No caso desta operação consorciada, há um estoque de 190 mil metros quadrados, divididos em quatro setores, com possibilidades de uso residencial e comercial.

O êxito do leilão confirma o aquecimento do mercado imobiliário na capital paulista, que, segundo o Secovi, o Sindicato da Habitação, se estende também a outras regiões do Estado, como Campinas e Baixada Santista. As incorporadoras seguem otimistas, e as previsões são de que o setor tem condições de produzir, no próximo ano, um milhão de moradias, capazes de gerar 3,2 milhões de empregos. Esse volume compreende habitações populares, enquadradas em novo projeto do governo federal ainda não lançado, e aquelas destinadas ao mercado de média e alta renda. 

O Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil deve fechar 2019 com crescimento de 2%, interrompendo cinco anos de queda, que acumularam perda de 30% entre 2014 e 2018. Há ainda a expectativa de expansão de 3% em 2020, segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Abrem-se muitas oportunidades que devem ser aproveitadas. Em Santos, há interesse pelo aumento do potencial construtivo. Áreas ao longo dos corredores de transporte coletivo, como o VLT, e o Centro da Cidade estão nessa perspectiva. Em períodos de dificuldades econômicas, é mais complicado concretizar tais negócios, mas agora a situação é muito mais favorável. Os incorporadores desejam lançar empreendimentos de maior porte em determinados terrenos, e isso, com planejamento adequado, não causa problemas à cidade. Ganham todos: o mercado, os futuros adquirentes dos imóveis e a Prefeitura, com novos recursos a serem aplicados na cidade. 

É necessário promover ampla discussão sobre o assunto, e envolver os interessados nesse negócio. O Centro de Santos é uma das possibilidades. E o diálogo entre o poder público e o empresariado a respeito pode - e deve - ser promovido.

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