Editorial A Tribuna

A Tribuna é o maior e mais antigo jornal impresso a circular na Baixada Santista. São 126 anos contando e publicando histórias.

Acesse todos os textos anteriores deste colunista

O vírus agradece

É inaceitável haver descuido por parte da população e desinteresse dos governos de fiscalizar regras de restrição

Os infectologistas alertaram insistentemente que o afrouxamento das normas de convívio social de forma precipitada poderia ter alto custo. Apesar disso, muita gente foi às ruas e se aglomerou ou deixou de usar máscara, abrindo brecha para o novo coronavírus voltar a se disseminar. É o que se vê em Santos, também no Estado, no Rio de Janeiro e na Europa. A diferença é que nos países europeus, a chamada segunda onda se dá quando a doença parecia ter ido embora, o que não justificava regras rígidas. Por aqui, o repique se verifica com registros diários ainda elevados e sem sinal de controle da pandemia. Em resumo, no País, o comportamento tem sido como se a covid-19 tivesse desaparecido. As imagens das praias lotadas no feriadão do dia 7 e reuniões familiares e festas com centenas de jovens registradas sem pudor nas redes sociais falam por elas próprias. 

No caso santista, os dados mais recentes assustam. Conforme publicado em A Tribuna nas edições de ontem e de hoje, a média de mortes saltou de 1,4 por dia no período de 7 a 13 deste mês, para 3,6 entre os dias 14 e 20, segundo conta do economista Mário Esteves. Já os casos confirmados pularam de 29 para 60 no mesmo intervalo – em apenas uma semana. 
Em Santos há 171 pacientes de covid-19 internados – eram 178 no domingo. Dos 171 nos hospitais, 77 são casos graves e estão na UTI. As taxas de ocupação de leitos convencionais e de UTI para covid-19 (redes públicas e privadas somadas)são, respectivamente, de 28% e 31%. Esses percentuais dão margem de segurança para as autoridades trabalharem com planejamento, mas se deve admitir – os números absolutos são muito elevados após seis meses de pandemia. E também não se pode olhar para o cidadão apenas como parte da estatística. Cada vida perdida causa impactos emocionais e financeiros que vão marcar famílias por anos. 

Segundo os médicos, é provável que a partir da aglomeração do dia 7 ainda haverá mais contaminações. Para o Governo do Estado, o aumento dos dados pode ser reflexo de subnotificação do final de semana e que a confirmação da alta da disseminação ainda vai exigir mais alguns dias de observação. O problema é que vários surtos localizados aqui e no exterior têm sido noticiados – contaminações em escolas portugueses e casas de repouso da Espanha e fechamento do comércio em Israel e primeira morte na Nova Zelândia por covid-19 depois de três meses. 

Não está claro quando as vacinas conseguirão eliminar o vírus e se a aplicação será definitiva ou terá que ser reforçada de tempos em tempos. Por outro lado, a doença não está totalmente conhecida e ainda não se sabe quanto tempo dura a imunidade de quem já esteve doente e se os curados ainda terão sequelas no médio e longo prazos. Portanto, com tantas dúvidas, é inaceitável haver descuido por parte da população e desinteresse dos governos de fiscalizar regras por eles próprios criadas. 

Tudo sobre:
 
Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna.
As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.