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Quarta-feira

5 de Agosto de 2020

Editorial A Tribuna

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O lado B da pandemia

Há toda uma cadeia produtiva envolvida com os desfiles. Quanto antes se definir uma nova data, melhor será para a economia

O mundo do samba terminou a semana com o anúncio feito pelo prefeito da Capital, Bruno Covas, de que o carnaval de rua e os desfiles das escolas de samba em 2021 serão adiados para uma data ainda a ser definida. Também já haviam sido suspensos outros eventos, como a Fórmula 1, Parada do Orgulho LGBT e Réveillon na Avenida Paulista. A decisão segue a recomendação de autoridades médicas, que têm apontado a dificuldade de realizar megaeventos sem que haja uma vacina e a população esteja imunizada.

Na Capital, o Carnaval movimenta cerca de R$ 2 bilhões, e é um dos principais eventos do calendário turístico, com atração de visitantes de outros estados do País e de fora. Os mesmos atrativos têm o Réveillon, a Parada LGBT e a Marcha para Jesus, embora em menor escala.

Os números da pandemia vêm sendo atenuados, semana após semana, e hospitais de campanha já foram, inclusive, desativados na Capital. No entanto, sem uma vacina que garanta a imunização em massa é arriscado e irresponsável permitir que eventos dessa magnitude aconteçam. O Governo do Estado de São Paulo começou, na última segunda-feira, a testar 9 mil voluntários para a vacina que o Instituto Butantan está desenvolvendo em parceria com o laboratório Sinovac, da China. Há boas perspectivas de que seja eficiente, mas é pouco provável que já tenha cumprido todas as etapas de registro e produção até fevereiro.

As escolas de samba da Capital deram aval à decisão do prefeito Bruno Covas, evidenciando um alto grau de consciência e maturidade


Em Santos, o tema já circulou pela mídia e há os que também defendam o adiamento. Os números do Carnaval santista não são tão superlativos como os de São Paulo e Rio de Janeiro, mas também representam risco diante de uma pandemia ainda sem controle absoluto. Considerando o tempo que as 15 escolas de samba precisam para se organizar, os recursos dispensados e a cadeia produtiva que envolve profissionais de diversas áreas, seria oportuno que a Prefeitura também definisse seu calendário. Adiar e os desfiles, as bandas e as festas de Momo para maio ou junho não vai fazer com que diminua o interesse do público em participar, tampouco em atrair o interesse de turistas.

Retardar o Carnaval é apenas mais uma das consequências da pandemia do coronavírus. Há os que dirão, “dos males o menor”, e é fato que assim seja. Mas para além da diversão e entretenimento, há uma questão econômica e de geração de renda que transcende o gosto por essa manifestação cultural. Diz respeito à economia e a uma cadeia produtiva que depende de grandes eventos para subsistir.

Cuidar da saúde continua sendo a prioridade dos governos, mas planejar e programar os próximos passos em todos os campos não pode ser lição apenas para quando a pandemia acabar.

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