Editorial A Tribuna

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O centro contra a polarização

O importante é romper a polarização, um quadro que limita o debate, excluindo temas importantes para o futuro do País

O manifesto pró-democracia divulgado na quarta-feira por seis presidenciáveis vai além de um texto em defesa da Constituição e contra o autoritarismo. Dois dias após o ato, já está mais claro que esse movimento sinaliza um esforço de lançar uma terceira via competitiva e de centro para 2022. Ainda não se sabe se essa estratégia vai dar resultados concretos e nem apostar nela de forma ingênua, pois a tradição no Brasil é compor com base em acordos partidários em troca de ministérios e verbas orçamentárias. É importante ainda que eventuais nomes tenham o que propor à população – apenas afirmar ao eleitorado que se é alternativa a Lula ou Jair Bolsonaro não garante viabilidade eleitoral. 

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O importante é romper a polarização entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula, um quadro que limita o debate, excluindo temas importantes para o futuro do País. A disputa eleitoral não pode estar restrita ao antipetismo x antibolsonarismo ou entre se decidir sobre “nós ou os outros”. É preciso aprofundar sobre o que se pretende realmente fazer contra a corrupção, pela saúde e educação e qual será o papel do Estado na economia, em meio à geração de emprego em um momento de avanços tecnológicos e como estimular os negócios. Falar que é contra a corrupção ou que vai investir em saúde é previsível – temas como esses exigem mais detalhes que os candidatos costumam não expor por falta de ideias ou compromisso ou para esconder o jogo dos adversários até o segundo turno. 

Assinaram o manifesto o ex-governador Ciro Gomes (PDT) e o apresentador Luciano Huck, além dos tucanos João Doria e o gaúcho Eduardo Leite, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM) e João Amoêdo, que concorreu em 2018 pelo Partido Novo. Ciro já é bem conhecido no País devido a sua candidatura presidencial e Huck devidamente inserido nas camadas populares, mas não está claro se o eleitor ainda busca nomes fora da política. Mandetta, Doria e Leite são os opostos de Bolsonaro no âmbito da pandemia, porém, analistas dizem que no próximo ano, se a vacinação tiver deslanchado, o emprego será o tema central das eleições, o que favorece o alcance da caneta presidencial, considerando que todos os presidentes que disputaram a continuidade do mandato foram reeleitos. 

De acordo com o presidente do Cidadania, Roberto Freire, interlocutor de Huck, a união por uma terceira via é inédita e pode ter um ou dois candidatos. Doria se referiu à iniciativa lembrando de diferenças ideológicas e Amoêdo considera a reunião uma “semente” com a lógica de buscar “convergências”. Eles próprios ainda não sabem até que ponto chegarão e futuramente pode se descobrir que não se tratou de um esforço midiático. Mas a discussão sobre o centro unido se torna relevante se romper a tradição de acertar apoios por meio da promessa de compartilhar a máquina pública para viabilizar reeleições, o que vai ser um desafio. 

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