Editorial A Tribuna

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O alerta que vem de Manaus

Manaus mostra o risco de não ter insumos ou estrutura razoável frente a disseminação que pode aumentar repentinamente

A tragédia que se desenrola nos últimos dias em Manaus (AM) é o pesadelo que neste momento qualquer prefeito deve trabalhar para evitar em sua cidade. Por isso, é fundamental que fiscalização contra aglomerações irresponsáveis e campanha de conscientização são armas que precisam ser utilizadas lado a lado. Na capital amazonense, vê-se o pior dos mundos. Por lá, no último domingo, foram registrados 144 enterros provocados pelos mais diversos motivos, mas na última quarta-feira a conta tinha saltado para 198. Infelizmente, as autoridades manauaras afirmam que a covid-19 está por trás desse aumento de 37% em tão pouco tempo. Desses 198 registros, 87 são atribuídos ao novo coronavírus. Para mostrar o terror dessa estatística, 26 são de pessoas que morreram em casa. São entes queridos perdidos e muito deles provavelmente tinham papel importante na parte financeira ou no aspecto psicológico da família. Daí, dezenas de milhares delas se tornam desestruturadas em curto espaço de tempo, com reflexos sociais e econômicos que agora são inimagináveis.

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Os prefeitos devem voltar os olhos para o colapso dos hospitais de Manaus, que na quinta-feira ficaram sem oxigênio, resultado da disparada dos casos de internação. Corajosos e dedicados pelos riscos que passam, médicos e enfermeiros tentaram fazer a ventilação manualmente, um ato de desespero que não dava certo pelo esforço contínuo que não era possível empregar. A demanda por oxigênio foi tão grande que a White Martins do Amazonas triplicou a sua produção e mesmo assim não deu conta da tarefa. Ontem, a empresa avaliava buscar o insumo em sua unidade na Venezuela. O que se viu nos arredores dos hospitais foram familiares desesperados pedindo doações de oxigênio – algumas pessoas tinham o produto em caso devido ao home care, mas em quantidade que não resolvia o problema. Durante esse dia, muitos pacientes morreram asfixiados. 

Por isso, fiscalização e conscientização são artifícios dos mais urgentes. Se algum trabalho eficiente for feito nessas áreas, será possível planejar o socorro aos mais doentes. Devido às festas e à frequência nas praias, é previsível que os números evoluam para níveis preocupantes, mas com algum esforço talvez se consiga impedir o pior. Por outro lado, o caso de Manaus mostra às autoridades de todo o País o risco de não ter insumos ou estrutura hospitalar razoável frente a uma disseminação que pode aumentar repentinamente. 

O registro de variantes no Reino Unido, África do Sul e também Manaus redobra os desafios, pois essas mutações causam maior grau de disseminação e retardam a queda das estatísticas. Neste momento, a vacinação ainda não trará os resultados esperados, porque o Brasil está atrasado neste quesito e a proteção em larga escala exige trabalho mais demorado. A única medida eficiente é se resguardar e combater abusos com aglomerações. A omissão se tornou inaceitável. 

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