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Sexta-feira

10 de Julho de 2020

Editorial A Tribuna

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Muita responsabilidade na reabertura

Poderá haver um estímulo ao morador da área vermelha em direção à laranja, resultando em efeito contrário

O Plano São Paulo, anunciado nesta quarta-feira (27) pelo governador João Doria com critérios de flexibilização e reabertura econômica no Estado, irritou prefeitos não só da Baixada Santista como da Grande São Paulo. Houve uma insatisfação generalizada com a Capital, autorizada a reabrir seu comércio, ainda que com restrições, e todo seu entorno (sua região metropolitana, Baixada e Vale do Ribeira) em alerta máximo, com funcionamento apenas dos serviços essenciais. Entende-se a insatisfação e para isso basta observar o mapa do plano. Na classificação, o alerta máximo, como é o caso da Baixada, é representado pela cor vermelha. Já a reabertura sob restrições é laranja. No final das contas, a Capital parece uma ilha alaranjada cercada por uma extensa área vermelha.

Com esse plano, as três regiões vermelhas ficam obrigadas a prorrogar a quarentena restritiva por duas semanas. Para dimensionar a insatisfação dos prefeitos, basta observar a argumentação de Orlando Morando, de São Bernardo do Campo. Segundo ele, o morador do ABC, impedido de frequentar o shopping local, vai se dirigir ao concorrente instalado na Capital.

Nas entrelinhas do plano, fica a suspeita de uma decisão política, apesar da alegada atenção ao peso da ciência. O Governo do Estado diz que a distribuição das regiões por cores no mapa paulista, que ainda prevê o amarelo (abertura de mais setores), verde (ampliação do amarelo) e azul (tudo aberto, mas com medidas de distanciamento) considera vários critérios. Principalmente o nível de ocupação das vagas das UTIs e a disponibilidade de leitos por 100 mil habitantes. 

No caso da Baixada, o Governo do Estado afirma que há avanço dos casos confirmados do vírus e uma preocupante ocupação da rede de UTIs, além de uma fatia maior da população idosa. Esses argumentos podem até justificar a definição da cor vermelha, mas a exclusão da Capital e também das regiões de Campinas e até São José dos Campos, que são laranja e contíguas à Região Metropolitana de São Paulo, geram estranhamento. 

O que se prevê é de que poderá haver um estímulo aos moradores das áreas vermelhas em direção às cidades laranjas, resultando em efeito contrário, que é a circulação de uma população em fase de infecção para uma área alegadamente mais suave na difusão do vírus. 

A ideia de que o prefeito paulistano Bruno Covas “bateu o pé” é uma péssima sinalização de decisão política. Por isso, espera-se que o Governo do Estado promova uma profunda rodada de explicações – pelo menos isso começou ontem à noite com a reunião do secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, com prefeitos da Baixada. O mais importante é ter certeza de que as reaberturas respeitarão critérios médicos e de que a população não ficará exposta a disseminação da covid-19 ainda em curso. O momento é de grandes responsabilidade e as decisões precisam estar muito bem fundamentadas.

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