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Quarta-feira

16 de Outubro de 2019

Editorial A Tribuna

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Mortalidade infantil em alta

Na Baixada Santista, em 2019, até agosto, o índice elevou-se, atingido 16 óbitos para cada mil nascidos vivos menores de 1 ano de idade

São preocupantes os índices de mortalidade infantil da Baixada Santista. Os dados mais recentes, que fazem parte de levantamento da Secretaria Estadual da Saúde, a partir de cruzamentos dos sistemas de Informações de Mortalidade (SIM) e de Nascidos Vivos (Sinasc), mostram que, em 2019, até agosto, o índice elevou-se, atingido 16 óbitos para cada mil nascidos vivos menores de 1 ano de idade. 

De 2016 a 2018, a taxa ficou em torno de 14 mortes, número superior à meta fixada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de dez ocorrências. A situação piorou, e alguns municípios da região apresentam índices muito altos: são os casos de Itanhaém (21,8 óbitos por mil) e de Guarujá (21 mortes por mil). Em valores absolutos, constata-se que, na Baixada Santista neste ano (até o dia 23 de agosto), 234 crianças morreram até 1 ano de idade, para um total de 14.610 nascimentos.

Quando se compara a situação regional com a do Estado de São Paulo, nota-se que a média estadual ficou em 10,7 mortes por cada mil nascidos vivos, e os indicadores regionais chegam a ser quase 50% maiores. Algumas cidades, como Praia Grande e São Vicente, com índices em elevação (19,8 e 14,9, respectivamente), anunciaram que criaram comitês de mortalidade infantil, com equipes multiprofissionais para analisar as causas do problema e buscar soluções. Em Santos, onde foi registrada a menor taxa regional (8,2 por mil, dentro dos padrões da OMS), a redução obtida foi atribuída à expansão da rede municipal de saúde e aos resultados do programa Mamãe Santista.

O enfrentamento da questão passa, em primeiro lugar, por ações que possam melhorar e ampliar o atendimento das gestantes, com acompanhamento pré-natal rigoroso. Deve ser garantida assistência nos partos e principalmente durante o primeiro ano de vida dos bebês, período de maior vulnerabilidade.

Esse trabalho deve ser desenvolvido em nível metropolitano para que os resultados possam acontecer em todas as cidades. A OMS calcula que 80% das mortes ocorrem devido a nascimentos prematuros, complicações no parto ou infecções, e preconiza amamentação, boa nutrição e equipes treinadas de saúde para evitar os óbitos.

Mas é preciso ressaltar que a alta taxa de mortalidade infantil tem a ver com as condições socioeconômicas. Em um cenário de desemprego e pobreza crescente, mães vivem em situação precária, em ambientes insalubres, com má alimentação e sem condições de cuidar dos filhos após nascerem.

Fica evidente que, além de cuidados na área específica da saúde, a redução da mortalidade infantil na Região Metropolitana da Baixada Santista passa por medidas que propiciem o desenvolvimento, com geração de emprego e renda para a população, capaz de promover a melhoria efetiva da qualidade de vida de todos.

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