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Sexta-feira

22 de Novembro de 2019

Editorial A Tribuna

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Mobilidade urbana no Brasil

O gasto com transporte já pesa mais no bolso das famílias do País do que as despesas com alimentação

Um dos maiores problemas que afeta o cotidiano da população brasileira é a mobilidade urbana. O gasto com transporte já pesa mais no bolso das famílias do País do que as despesas com alimentação. Na Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) 2017-2018 do IBGE, as famílias despendiam 18,1% de sua renda com transporte, contra 17,5% com alimentação.

O custo socioeconômico da mobilidade urbana foi estimado em R$ 483,3 bilhões anuais em estudo divulgado no ano passado pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), baseado em informações de 2016. Esse custo, segundo a entidade, cresceu 7% em relação ao ano anterior.

Neste cálculo entram gastos diretos dos usuários de transportes ou de seus empregadores (levando em conta o vale-transporte), os recursos do poder público para manter o sistema em funcionamento e os impactos da movimentação diária das pessoas. No plano social, são considerados os pesos da emissão de poluentes, acidentes de trânsito e poluição sonora.

O estudo foi feito com base em dados de 533 municípios com mais de 60 mil habitantes, nas quais vivem 133,5 milhões de brasileiros (65% da população) e por onde circulam 39 milhões de veículos.

Nas médias e grandes cidades, os moradores realizam viagens diárias, principalmente por transporte coletivo, cuja qualidade é, quase sempre, muito ruim. Apertados em ônibus, trens e metrôs superlotados, muitos perdem várias horas nos seus trajetos diários. Em 37 regiões metropolitanas de 20 Estados e do Distrito Federal, 17,6 milhões de pessoas levaram, em média, 114 minutos - praticamente duas horas! - para fazer o trajeto casa-trabalho-casa. No Rio de Janeiro e São Paulo, o tempo gasto é ainda maior: 141 e 132 minutos, diariamente.

O longo tempo diário de deslocamento dos trabalhadores causa prejuízos de R$ 111 bilhões por ano, segundo dados de 2015 da Firjan, a federação das indústrias do Rio de Janeiro, e essas perdas se refletem na menor produtividade das empresas e na saúde dos empregados.

O desafio da mobilidade urbana no Brasil é investir mais e melhor na área, conforme planejamento adequado e eficiente. Especialistas advertem que o País tem investido em mobilidade um quarto do que deveria aplicar durante 20 anos para garantir um sistema de qualidade. Destaque-se que, dos R$ 43,85 bilhões investidos no setor de transporte neste ano (0,62% do PIB), apenas 17% foram destinados à mobilidade urbana, enquanto a maior parte (55%) ficou para o transporte rodoviário.

O futuro exige que os sistemas de transporte sejam integrados, ao mesmo que tempo que cresça o compartilhamento de veículos próprios e a utilização de modais alternativos, como as bicicletas. O Brasil, em todos esses quesitos, está ainda distante do mínimo necessário, e é preciso avançar, sem demora, em todos eles.

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