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Quarta-feira

23 de Outubro de 2019

Editorial A Tribuna

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Mercado de imóveis reage

Não se pode afirmar que a crise que o mercado imobiliário enfrenta desde 2015 está superada, mas números são positivos, e demonstram evolução

Os sinais ainda são limitados, mas começa a haver reação do mercado imobiliário. Levantamento realizado junto a 15 empresas do setor, as maiores do país, mostrou crescimento de 24,9% na sua receita líquida no 2º trimestre de 2019 comparada com igual período do ano anterior. Excluída a PDG, que apresentou prejuízo de R$ 249 milhões, o conjunto das empresas teve lucro líquido consolidado de R$ 188,7 milhões.

O dado mais importante é a elevação dos lançamentos no segundo trimestre de 2019: eles avançaram 29,4% e as vendas líquidas em 25%, enquanto os distratos (cancelamentos de contratos firmados durante as obras) recuaram 39%, na comparação com o mesmo trimestre de 2018. O desempenho semestral do setor foi ainda mais expressivo: a expansão dos lançamentos atingiu 43,5%, para R$ 9,38 bilhões, enquanto as vendas líquidas tiveram alta de 23,2%, para R$ 9,433 bilhões.

Não se pode afirmar que a crise que o mercado imobiliário enfrenta desde 2015 está superada. Mas estes números são positivos, e demonstram evolução. Vale observar que o prejuízo líquido das incorporadoras teve queda de 87,9%, recuando de R$ 499,5 milhões para R$ 60,3 milhões no período, o que indica claro processo de recuperação.

A melhora é atribuída à maior oferta e demanda da média e alta rendas, uma vez que os programas voltados à habitação popular têm sofrido fortes restrições. Segundo informações da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC), a dívida do governo com as construtoras dentro do programa Minha Casa, Minha Vida chega a R$ 470 milhões e a tendência é de piora neste semestre. A previsão é de liberação de R$ 90 milhões mensais, quando o programa precisa atualmente de R$ 350 milhões.

Na Baixada Santista, pesquisa realizada pelo Sindicato da Habitação (Secovi) entre julho de 2018 e junho de 2019 mostrou que unidades menores, de até 45 m², foram as mais comercializadas, atingindo 71,3% de vendas sobre as ofertas. Em quantidade, das 1.252 unidades ofertadas, foram vendidas 1.112 com metragens entre 45 e 65 m².

Apesar de serem destinados a um público que vem crescendo – solteiros, casais sem filhos, divorciados e idosos –, é fora de dúvida que sua venda está ligada diretamente ao valor mais baixo: na média, um apartamento de 45 m² foi vendido a R$ 261 mil. Destaque-se ainda que o mercado oferece, para esse tipo de unidade, grandes empreendimentos, com muitos serviços, e condomínios mais baratos.

Ainda há um longo caminho para a plena e efetiva recuperação do mercado imobiliário no país. As empresas buscam alternativas, mas não há dúvida que ainda faltam políticas para o setor, que passam pela retomada do emprego e renda da população e por financiamentos com taxas de juros menores, principalmente para as faixas de menor renda. 

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