Editorial A Tribuna

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Mais produtividade

Na contramão internacional, o Brasil vem recuando na produtividade do trabalho

É amplamente reconhecida a importância do aumento da produtividade para o desenvolvimento econômico. A produtividade não é, porém, conceito estático e limitado, associado apenas à mão de obra, ou seja, produzir mais com menor utilização da força de trabalho. Para que esse objetivo seja alcançado, é necessário qualificar trabalhadores para o desempenho de suas funções, e depende também dos fatores de produção, como técnicas, máquinas e processos modernos.

Na contramão internacional, o Brasil vem recuando na produtividade do trabalho. Ela recuou 1,7% no segundo trimestre deste ano, quando comparada com igual período de 2018, e foi o pior resultado desde o primeiro trimestre de 2016, segundo o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). No ranking elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, com dados de 141 países, o País ocupa a 71ª. posição quanto à competitividade, que é considerada termômetro do nível de produtividade e das condições oferecidas pelos países para gerar oportunidades e para que as empresas possam obter sucesso. 

Outro aspecto importante é a pouca importância que se dá a obter ganhos de produtividade na relação capital-trabalho. Dados do Salariômetro, levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), mostram que não há praticamente premiações aos trabalhadores por estímulo à produtividade. Os bônus incluídos nos acordos e convenções fechados em 2019 levaram em conta aposentadoria, prêmios por tempo de serviço e assiduidade, ficando a produtividade sem importância (apenas 0,1% no total).

Os principais obstáculos à ampliação da produtividade estão ligados à absorção de novas tecnologias, gestão dos processos e da produção e baixa qualificação da mão de obra. As empresas se acomodam na atual situação, fato agravado pela recente crise econômica, e não buscam criar condições efetivas para melhorar esse quesito, não motivando seus funcionários a tentar ampliá-lo no âmbito de suas funções e atividades.

Os baixos índices de bonificação à produtividade estão ligados à ausência de cultura de criação de incentivos. É preciso disseminar essa nova abordagem, de modo que trabalhadores produtivos possam ser valorizados e demandados no mercado de trabalho, e que todos percebam a importância do esforço individual para a ascensão profissional. Essa nova realidade implica em maior competição entre as empresas, cada uma buscando melhores funcionários em suas áreas, e o resultado é qualidade e preços mais baixos. 

O incentivo à produtividade interessa a todos, das empresas aos trabalhadores. Não se trata de estabelecer metas impossíveis ou abusivas, e sim de esforço conjunto para ganhos generalizados, que podem contribuir, de maneira decisiva, para o desenvolvimento econômico do País.

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