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Sexta-feira

18 de Outubro de 2019

Editorial A Tribuna

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Mais idosos

O aumento da expectativa de vida foi notável nas últimas décadas

Com base em dados e projeções do IBGE, o especialista em envelhecimento Alexandre Kalache alerta para o crescimento rápido da quantidade de idosos no Brasil. A evolução é nítida: em 2011, 10% da população equivaliam a pessoas com mais de 60 anos; atualmente, esse número se elevou para 14% e deve atingir 20% por volta de 2030.

O aumento da expectativa de vida foi notável nas últimas décadas. Em 1980, ela era de 62,5 anos, e em 2016, atingiu 75,8 anos. Ou seja, a cada três anos do calendário a expectativa aumentou um ano. Considerando os beneficiários ativos do Regime Geral da Previdência Social, nota-se que, entre 2010 e 2017, houve crescimento expressivo em todas as faixas etárias a partir dos 60 anos. Enquanto aqueles abaixo dessa idade tiveram aumento de apenas 4,3%, os mais idosos cresceram de modo acentuado, com destaque para aqueles com 90 anos ou mais, que avançaram 49,2% no período, passando de 424.231 para 632.975 beneficiários. 

O envelhecimento é notável avanço civilizatório, que reflete a evolução ocorrida, principalmente na área da saúde. Mas essa realidade cria problemas e desafios, que não têm sido contemplados. Especialistas apontam que o Brasil vem caminhando no sentido oposto ao ideal para nações com número significativo de idosos. As políticas de saúde são insuficientes e há sérias questões relativas ao mercado de trabalho (as pessoas vão viver e trabalhar cada vez mais tempo), à Previdência e à educação financeira da população, que precisa se conscientizar sobre a importância de elevar suas poupanças para viver até 90 ou 100 anos de modo confortável.

Nos próximos 50 anos, a população de idosos no País será multiplicada por cinco, revelando que não é possível adiar decisões para dar conta da nova realidade demográfica. Em outros países do mundo, essa transição foi mais lenta, mas, aqui, ela já acontece e será acelerada de modo intenso. Na França, foram necessários 145 anos para que a proporção de idosos na população passasse de 10% para 20%; no Brasil, isso será alcançado em apenas 20 anos, entre 2011 e 2030. 

Além de um sistema previdenciário eficiente e justo, o envelhecimento com qualidade de vida exige boa saúde e nível educacional elevado. As pessoas precisam ter formação adequada, capaz de permitir que trabalhem até idades mais avançadas, com renda suficiente para que realizem poupança capaz de garantir os últimos anos de suas vidas. Longevidade implica em mais cuidados com a saúde, e isso exige investimentos.

Novas questões se colocam. As pessoas mais velhas têm que continuar inseridas na sociedade, participando dela, de maneira ativa, e isso exige políticas públicas e privadas capazes de dar conta desse enorme desafio. A agenda social precisa ser priorizada e os idosos devem receber especial atenção. 

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