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Domingo

15 de Dezembro de 2019

Editorial A Tribuna

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Mais empregos na construção civil

Com inflação baixa, taxas de juros menores e maior confiança de empresários e consumidores, os lançamentos e vendas têm aumentado, com reflexos no emprego do setor

A retomada das atividades da construção civil e do mercado imobiliário começa a ganhar ritmo no Brasil. Embora com muitas dificuldades, algumas obras públicas estão em andamento, e o ano eleitoral de 2020 deve intensificá-las. De outra parte, o avanço nas concessões na infraestrutura (portos, aeroportos, rodovias, ferrovias) oferece a perspectiva de realização de obras em diferentes áreas.

Mas os melhores resultados vêm do mercado imobiliário. Com inflação baixa, taxas de juros menores e maior confiança de empresários e consumidores, os lançamentos e vendas têm aumentado, com reflexos no emprego do setor: segundo pesquisa do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), houve saldo positivo de 57,9 mil empregos nos 12 meses até setembro. No mesmo período do ano passado, o resultado era negativo em 13,8 mil postos de trabalho.

De acordo com dados do Secovi-SP, o sindicato da habitação no Estado, em 12 meses até setembro, os lançamentos na cidade de São Paulo cresceram 51,4%, enquanto as vendas aumentaram 46,6%, na comparação com igual período do ano anterior. São números melhores do que a média nacional (aumento de 15,4% nos lançamentos, e queda de 2% nas vendas), que evidenciam ainda certa desproporção regional.

Segundo Ana Maria Castelo, coordenadora dos projetos da construção do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre-FGV), o movimento de retomada vem ganhando força desde 2017, após as perdas enormes de 2015-2106 (em setembro de 2016, considerando os 12 meses anteriores, houve contração de 505 mil empregos no setor). Mas ela salienta que a melhora tem estado concentrada em São Paulo, e destaca as regiões da Capital, de Campinas e de Santos, além de Belo Horizonte, como os principais polos atuais de crescimento.

Os empregos estão aumentando, e há índices que confirmam os avanços, ainda que modestos. As vendas de materiais de construção cresceram 2% no ano até outubro e as de cimento 3,6% (na mesma época do ano passado as vendas haviam subido 1% e 1,5%, respectivamente).

Ainda há longo caminho a percorrer. O Índice de Confiança da Construção do Ibre-FGV marcou 87,5 em outubro, em evolução, mas ainda distante da média histórica de 100 pontos. A queda na taxa de juros dos financiamentos é decisiva, uma vez que cálculos apontam que ela coloca cerca de 30% das famílias em condições de contratar empréstimos no Sistema Financeiro da Habitação, contra apenas 6% quando o juro estava acima de 10% ao ano.

Com mais renda e emprego assegurado, as vendas tendem a aumentar mais, com cenário promissor. Não é exagero dizer que este ano será o melhor desde 2013, evidenciando boas perspectivas para o setor.

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