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Sexta-feira

14 de Agosto de 2020

Editorial A Tribuna

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Mais crédito imobiliário

Imagina-se o ritmo que o segmento imobiliário atingiria se a economia estivesse em tempos normais

O desempenho do crédito imobiliário com recursos da caderneta de poupança se revelou uma das raras notícias positivas da economia durante a pandemia. Com contratação de R$ 7 bilhões em maio e R$ 34 bilhões no acumulado dos primeiros cinco meses do ano, a resiliência da modalidade está associada à queda dos juros, que estimulou a compra da casa própria. Deve-se acrescentar que mais bancos e fintechs (startups das finanças), passaram a concorrer com a Caixa, que historicamente domina 70% desse mercado. Imagina-se o ritmo que o segmento atingiria se a economia estivesse em tempos normais.

De acordo com a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), os financiamentos da casa própria cresceram 8,2% em maio na comparação com igual mês do ano passado e avançaram 6,5% na relação de maio sobre abril. Considerando os cinco primeiros meses, sobre mesmo período de 2019 o salto foi maior ainda, de 23%. É importante ressaltar que esses dados ainda não consideram os empréstimos com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Entretanto, conforme a Abecip, o giro desse crédito se concentra basicamente nas pessoas físicas. O segmento das construtoras, que capta crédito para fazer lançamentos e começar as obras, sentiu o baque da pandemia. O adiamento de projetos se tornou estratégia de defesa neste momento adverso. Isso não significa que a construção está parada. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em abril, 90% dos campos de obras estavam em operação. São empreendimentos com recursos já garantidos e não precisaram retardar o cronograma.

Infelizmente o setor imobiliário continua com antigos problemas. O principal deles é a falta de investimento na moradia para baixa renda. O governo até agora não conseguiu deslanchar o Minha Casa, Minha Vida para a população mais pobre, que depende de prestações subsidiadas. A falha se deve à insuficiência de recursos. O Ministério da Economia traçou vários modelos para investir na área, mas sem verba de nada adianta usar da criatividade. As linhas do programa sem subsídio continuam em operação, sendo consideradas um filão atraente para construtoras que sabem trabalhar com o baixo custo.

Mesmo em momentos de contração da economia, o crédito imobiliário funciona como um dos estímulos à retomada do Produto Interno Bruto (PIB) por um motivo simples. A casa própria é um bem essencial. Exceto em condições de pobreza, milhares de pessoas precisam assumir prestações de longo prazo por necessidade. São aqueles que se casam, se separam, querem um imóvel menor ou se mudam de cidade. Agora, muitos necessitarão de moradias adaptadas à nova economia, como espaços privados para o home office. As construtoras, que vinham lançando produtos cada vez mais compactos, terão que atender essa demanda, que não está disposta a pagar muito mais por isso.

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