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Quarta-feira

18 de Setembro de 2019

Editorial A Tribuna

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Indústrias e alta tecnologia

Segundo o IBGE, houve queda de 0,3% na atividade do setor industrial, na comparação com o mês anterior. Resultado foi inesperado, uma vez que o mercado esperava crescimento de 0,6%

Após ter registrado crescimento no segundo trimestre do ano, a indústria brasileira apresentou novo recuo: em julho, segundo o IBGE, houve queda de 0,3% na atividade do setor, na comparação com o mês anterior. Foi resultado inesperado, uma vez que o mercado esperava crescimento de 0,6%. Prossegue, portanto, a trajetória de dificuldades, marcada por cinco meses negativos em 2019, e a expectativa é de estagnação para este ano, não sendo desprezível o risco de haver queda no balanço final.

Na média, a produção industrial está 13,5% abaixo da registrada em 2014, e o destaque negativo está na fabricação de equipamentos de transporte, exceto veículos, que opera 45,8% abaixo do nível daquele ano. Mas estão em patamar bastante inferior máquinas e equipamentos (-15,8%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-22,4%), produtos têxteis (-19,9%) e vestuário (-15%).

A desindustrialização é um fato no Brasil. A participação do setor industrial no PIB nacional caiu de 15,3% em 2009 para 11,3% em 2018, recuo de 26% em dez anos, voltando ao patamar dos anos 1950. Não se pode atribuir essa redução a fatores estruturais, de mudança econômica, que estariam em curso em todo o mundo, privilegiando a área de serviços, como normalmente é afirmado.

Os dados mostram tendência inversa: a indústria, que representava 15,1% do PIB mundial em 2009, teve sua participação aumentada, passando para 16,4% em 2107 (último ano com números disponíveis).

Estudo realizado pelo Departamento de Economia, Competitividade e Tecnologia da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) revelou que o movimento de queda foi puxado pelo encolhimento dos segmentos de alta tecnologia, que são hoje relevantes no cenário internacional. Andando na contramão, no Brasil cresceu acima do PIB nacional apenas a indústria de baixa intensidade tecnológica e baixa produtividade. 

O país está perdendo a corrida para outros países, que têm investido e incentivado máquinas e equipamentos com conectividade, inteligência artificial e manufatura aditiva, que é a impressão em 3D. Segundo a Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o setor industrial nacional está quase todo fora da chamada revolução 4.0, que engloba tecnologias de automação, e controle e troca de dados aplicados nos processos de manufatura. Menos de 10% das empresas brasileiras estariam totalmente inseridas nesta etapa.

A reindustrialização exige solução para questões como tributação elevada, câmbio valorizado e custos de capital e insumos maiores do que os concorrentes externos, que representaram adicional de 30,4% no preço do produto brasileiro, considerando a média do período 2008 e 2016, mas também exige investimentos e ações efetivas para desenvolver e aplicar alta tecnologia, decisiva no atual momento. 

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