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Terça-feira

25 de Junho de 2019

Editorial A Tribuna

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Homicídios crescem no Brasil

Taxa cresce de maneira praticamente contínua desde 2007, tendo se elevado em 23,9% em onze anos

Os dados do Atlas da Violência 2019, divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mostraram alta na taxa de homicídios no Brasil. Em 2017, 65,6 mil pessoas foram assassinadas no País, representando índice de 31,6 mortes para cada 100 mil habitantes, patamar inédito, com elevação de 4,2% em relação ao ano anterior. Destaque-se que a taxa vem crescendo de maneira praticamente contínua desde 2007, tendo se elevado em 23,9% em onze anos.

Os números preocupam, e trazem uma série de informações relevantes. A primeira delas é que as regiões Nordeste e Norte são as mais violentas do País, com índices de 38,6 e 48,4 assassinatos para cada 100 mil habitantes. Há situações particularmente graves, como no Rio Grande do Norte (com 62,8 mortes para cada 100 mil habitantes), Acre (62,2) e Ceará (60,2), estados em que o aumento proporcional de violência entre 2016 e 2017 foi muito expressivo (no Ceará essa elevação chegou a 48,2%).

São Paulo desponta com o menor índice do País (10,3), tendo registrado queda no índice de homicídios de 34% entre 2007 e 2017. O Atlas mostra ainda o aprofundamento da desigualdade nos indicadores de violência letal. Entre 2016 e 2017 a taxa de assassinatos de negros cresceu 7%, enquanto entre os não negros avançou apenas 0,3%. A violência atinge principalmente os mais jovens: dos 65,6 mil assassinatos, 35,7 mil (54,4% do total) foram de jovens entre 15 e 29 anos, fazendo com que a taxa de homicídios nessa faixa etária tenha chegado a 69,9 para cada 100 mil habitantes.

Especialistas avaliam que guerras entre facções criminosas pelo controle do tráfico de drogas pesaram bastante nessas estatísticas. Isso explicaria a elevação dos índices em estados das regiões Norte e Nordeste, onde têm ocorrido frequentes conflitos entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). A guerra foi iniciada em 2016, e responde por uma série de massacres em presídios.

Há expectativa de queda em 2018, consequência de programas estaduais de segurança, que já vêm dando resultado em vários estados, sendo que 15 deles reduziram o número de assassinatos entre 2016 e 2017. Mas há muito a fazer para diminuir a violência no País, e isso envolve leis, polícia eficiente e preparada, superação de preconceitos e desigualdades.

Na comparação com outros países, o Brasil ocupa posição muito inferior: a taxa de 31,6 assassinatos para cada 100 mil habitantes é maior do que a da Colômbia (24), nação afetada por violência endêmica, e do México (22,5). A situação nacional aproxima-se do Iraque (34,4), país que passou por violenta guerra sectária após a invasão americana, em 2003, e que enfrentava, em 2017, os efeitos do combate ao grupo terrorista Estado Islâmico. 

 

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