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Terça-feira

16 de Julho de 2019

Editorial A Tribuna

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Guedes, Maia e o fundo do poço

Tanto Guedes quanto Maia concordam: há uma séria e grave crise, que precisa ser superada com determinação

Em audiência na Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso Nacional, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o Brasil é prisioneiro da armadilha de baixo crescimento há algum tempo, arrematando que “estamos no fundo do poço”. O País se situa, segundo ele, à beira do abismo fiscal, sendo necessário endividar-se para pagar Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC), Plano Safra e as aposentadorias do Regime Geral da Previdência Social.

Paulo Guedes descartou definitivamente que o crescimento neste ano do Produto Interno Bruto (PIB) seja da ordem de 3%; declarou, inclusive, que sempre foi cético em relação a aumento superior a 2%. A realidade aponta agora para 1,5%, forçando contingenciamentos de verbas a serem gastas no exercício.

A solução para o drama, de acordo com o ministro da Economia, passa necessariamente pela aprovação das reformas estruturais, começando pela Previdência. Sua expectativa é que, se isso acontecer, o Brasil volte a crescer 2% a 3%, fazendo com que os pesadelos fiscais que bloqueiam investimentos desapareçam do cenário nacional. Estaria, portanto, nas mãos do Congresso o equacionamento do grave problema atual, capaz de “nos tirar do fundo do poço”.

Vale comparar as declarações de Guedes com as afirmativas do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Em recente artigo, ele faz considerações sobre as responsabilidades do Parlamento, e confirma que a Previdência Social será reformada, e nenhum dos deputados e senadores se omitirá na questão. Mas é preciso discutir o futuro, e nesse sentido, aponta ele a importância da Educação no processo de desenvolvimento, que deve se “tornar ao mesmo tempo matriz e vetor das ações de todos os cidadãos ansiosos por somar esforços e modernizar o País”.

Rejeitando a proposta da “escola sem partido”, que é classificada por ele como obsoleta e inútil, insiste na melhoria da qualidade dos gastos em educação, com o objetivo de aproximar os jovens e a Academia daquilo que se investiga em todos os segmentos científicos e tecnológicos, inclusive em Ciências Sociais, “núcleo da produção do pensamento crítico”. Maia destaca ainda a importância de fazer política com sabedoria e responsabilidade, insistindo que não há saída fora dela.

O presidente da Câmara se preocupa com o que se chama de colapso social, que ameaça o Brasil nos próximos anos e, em visita aos Estados Unidos, insistiu no aumento de gastos no País, além das reformas, entendendo que deve haver entre governo e Congresso ambiente de diálogo e surgimento de propostas inovadoras.

Tanto Guedes quanto Maia tem razão. Há séria e grave crise, que precisa ser superada com determinação, mas a reforma da Previdência, embora necessária e urgente, não irá, por si só, resolver o drama nacional.

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