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Domingo

20 de Outubro de 2019

Editorial A Tribuna

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Farmácias em alta

Estabelecimentos registram crescimento no volume físico de vendas, com maior demanda dos consumidores

O fenômeno é percebido em todas as cidades brasileiras, notadamente nas médias e grandes. O crescimento do número de farmácias é claro: diz-se, com certa razão, que os novos empreendimentos do setor avançam por todas as esquinas, ocupando terrenos vagos e substituindo residências e antigos comércios. 

São, em geral, novas unidades das grandes redes nacionais, que dominam atualmente o mercado. Estimativas da Abifarma, entidade que representa o setor, confirmam a expansão das vendas em valores: em agosto último, elas cresceram 11% em relação ao mesmo mês de 2018 e, no acumulado dos primeiros oito meses deste ano, o aumento projetado é de 10,26%. Os números mostram ainda aceleração, já que a alta em 2018 tinha sido menor (7,5%) e no primeiro semestre deste ano 9%.

Indiferente à crise econômica, as farmácias registram crescimento no volume físico de vendas, com maior demanda dos consumidores. Os preços dos medicamentos subiram, mas o reajuste (4,3% em abril) foi menor do que a alta registrada no faturamento, confirmando assim o aumento no consumo. É importante notar que o peso das redes e franquias no setor: elas constituem 74% do total, contra apenas 26% das farmácias independentes.

O avanço mais forte ocorre nas redes. Elas são mais estruturadas, possuem marcas fortes junto ao público e maior capacidade de negociação com fornecedores, obtendo assim preços menores. Assim, têm crescido muito mais do que as farmácias independentes, de menor porte, cuja expansão foi de apenas 2,4% neste ano, até junho. A abertura de estabelecimentos confirma também o movimento: desde o final de 2017, foram abertas 12,7 mil farmácias nos últimos dois anos, enquanto 7,1 mil foram fechadas de maio a julho desse ano, a maior parte por lojas independentes.

O Brasil tem mais farmácias do que os Estados Unidos. No ano passado, o País tinha 78 mil pontos de venda, e os EUA, 67 mil, segundo associações do setor. O número nacional aponta para uma farmácia a cada 2,66 mil brasileiros, sendo que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uma para cada 8 mil. Isso não deve, porém, ser visto como um fator negativo: ao contrário, significa o maior acesso da população a medicamentos, especialmente aqueles de uso contínuo, que previnem doenças como a hipertensão, diabetes e aquelas ligadas ao sistema cardiovascular, hoje largamente difundidas e utilizadas.

Os preços de muitos deles ainda são muito altos, e representam grande peso para a população, especialmente para os mais idosos. Destaque-se ainda o avanço da venda de produtos de higiene, beleza e cosméticos, que explicam parte da evolução ocorrida. Há, é evidente, limites ao crescimento contínuo, mas o setor continua forte, embora com disputas intensas pelo mercado, como tem ocorrido em algumas regiões, como o Nordeste.

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