Editorial A Tribuna

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Estratégia para as vacinas

A estratégia do Brasil de apostar em mais de uma vacina, como parcerias fechadas pelos estados, é bem-vinda

Com a desaceleração da disseminação da covid-19 e risco de segunda onda de infecções, como se vê na Europa e partes da Ásia, a vacina é a única garantia de quebrar de vez o avanço do coronavírus. O problema é que pairam muitas dúvidas sobre cada imunização, tanto no campo da eficácia imunizante como na distribuição. Como haverá uma demanda mundial simultânea, é provável que a fabricação não dê conta dos pedidos e, considerando a confusão no combate à pandemia no Brasil, não será estranho haver brigas desnecessárias entre Governo Federal e estados sobre a melhor forma da distribuição.

No final de semana, o Ministério da Saúde afirmou que poderá oferecer 140 milhões de doses - 100 milhões viriam da parceria da Fiocruz com a Universidade de Oxford e 40 milhões da coalizão internacional de laboratórios coordenada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Há ainda o convênio do Estado de São Paulo com a Sinovac, da China, para 46 milhões de doses. 

Os números podem causar alívio, mas conforme lembram infectologistas, precisa haver uma quantidade extra, pois os frascos abertos que não são totalmente utilizados ficam sujeitos à eliminação. Os médicos citam ainda que é preciso saber se a imunização será congelada ou refrigerada, o que exige logística e infraestrutura diferentes, e quem vai tomar antes, como profissionais de saúde, idosos e pacientes de comorbidade.

Há ainda outra questão lamentável que tem permitido a volta de doenças controladas, como o sarampo, e que pode prejudicar a distribuição da vacina. São as campanhas mentirosas veiculadas nas redes sociais que pregam todo o tipo de sandices contra as imunizações. Mesmo que uma minoria seja influenciada por elas, a aversão à vacinação pode abrir flancos em regiões específicas do País, trazendo de volta a disseminação do novo coronavírus. Principalmente se a imunização tiver que ser reaplicada todo ano.

A estratégia do Brasil de apostar em mais de uma vacina, lembrando que o Paraná e Bahia fecharam parcerias com a Rússia, é bem-vinda. Isso porque essas pesquisas podem fracassar perto da conclusão dos estudos ou o produto final causar reações ou ter menor capacidade de imunização em um grupo específico.

Porém, fica o temor da falta de sintonia entre as autoridades estaduais e federais. Tais campanhas vão gerar grande exposição, atraindo o interesse dos políticos, que podem tomar decisões desastradas ou fazer pronunciamentos que só serviriam para confundir a população. O melhor caminho é o da unificação do anúncio dos caminhos a seguir, como a OMS tem feito em nível internacional, mas isso não deve ocorrer no Brasil, com base nas brigas entre o Governo Federal e os governadores. Mas nada impede que haja uma conversa para que as vacinas sejam distribuídas de forma mais eficiente pelo País.

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