Editorial A Tribuna

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Ensino criativo

Para o diretor de Educação da OCDE, Andreas Schleicher, os estudantes brasileiros são melhores nas tarefas que pedem respostas certas do que naquelas que exigem pensar

A última edição do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), teste internacional que mede o desempenho escolar de jovens de 15 a 16 anos a cada três anos, ocorreu em 2018. O desempenho do Brasil foi, mais uma vez, muito ruim: ficou em 57º lugar em leitura, 70º em Matemática e 65º em Ciências, entre 79 países participantes.

Quando é considerado o percentual de alunos com níveis muito baixos nas três áreas (Leitura, Matemática e Ciências), o Brasil apresentou 43,2% de seus jovens nessa condição. A média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) foi 13,4%, e o desempenho negativo nacional ficou muito acima do Chile (23,5%). 

Para o diretor de educação da OCDE, Andreas Schleicher, os estudantes brasileiros são melhores nas tarefas que pedem respostas certas do que naquelas que exigem pensar, trazendo ainda mais um complicador para a educação nacional: ela não está em patamar promissor para algo considerado fundamental para os tempos atuais, que é a criatividade.

Os desafios são enormes. De um lado, trata-se de melhorar a qualidade no ensino tradicional, indicando que os estudantes estão aprendendo a ler, interpretar textos, realizar cálculos matemáticos e conhecer ciências, o que hoje não acontece de maneira geral, fato que leva a grave deficit de aprendizado, com impactos na vida profissional futura.

De outro, trata-se de ir além, e desenvolver a criatividade de crianças e jovens. Como destaca Schleicher, o mundo moderno não recompensa as pessoas pelo que elas sabem, e sim pelo que cada um pode fazer com seu conhecimento. Máquinas e robôs podem repetir e reproduzir as tarefas básicas, mas o diferencial está em construir habilidades criativas sobre o conteúdo ensinado.

A aprendizagem precisa, portanto, ser revista, associando criatividade a práticas didáticas específicas. Uma das formas é o ensino baseado em projetos, quando são propostos problemas que demandam soluções originais e muitas vezes não convencionais. É fundamental permitir que os alunos experimentem, em situações que levam a erros e acertos, em ambiente de liberdade para inovar. 

A tecnologia pode ajudar no ambiente do ensino, tornando-o mais interativo e dinâmico, potencializando o pensamento criativo. Mas ela, por si só, não garante o sucesso, uma vez que muitas vezes distrai o estudante, e também não desenvolve o trabalho em equipe, fundamental para esse avanço. 

Mais importante é o papel dos professores. Eles precisam ser preparados e treinados para essa missão, incorporando-se a essa mentalidade. Trata-se de encontrar maneiras de mobilizar os recursos cognitivos, sociais e emocionais ao mesmo tempo, em esforço permanente para que as crianças e jovens aprendam a pensar de forma criativa e crítica. 

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