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Quarta-feira

15 de Julho de 2020

Editorial A Tribuna

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Empregos, crise e bom senso

O momento apresenta situações inéditas, jamais vistas no âmbito global. Mas, toda crise tem início, meio e fim

Não bastasse o efeito devastador da pandemia na vida dos cidadãos e na economia do País, a Baixada Santista foi surpreendida com notícias de impacto equivalente nas últimas semanas: a possibilidade de demissão em massa na Usiminas, em Cubatão, e a transferência de centenas de funcionários da Petrobras, de Santos, para o Rio de Janeiro.

A usina siderúrgica planeja o corte de 60% de seu quadro, algo estimado em 960 funcionários, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos. Quanto à estatal petrolífera, a projeção é de que 937 empregados deixem a unidade de Negócios da Bacia de Santos, na Cidade. 

É natural o grau de aflição que atinge os trabalhadores, em especial da Usiminas, diante do possível encerramento de seus contratos de trabalho. Em situações normais, a dispensa em massa, por si só, já alcançaria um nível dramático. Ali está um pessoal altamente especializado, mas setorizado, sem atividade empresarial equivalente na região. 

A empresa tem seus argumentos, que não podem ser minimizados, como a forte retração do mercado consumidor. A atividade econômica nacional, antes da pandemia, já passava por um significativo processo de desidratação. Diante do quadro, a siderúrgica explica que adotou medidas de adequação e buscou o entendimento para preservar a força de trabalho. Por decisão da Justiça, porém, está impedida de tomar qualquer medida mais radical em relação aos funcionários.

Sobre os profissionais da estatal, não se trata de cortes, mas de transferência, alega a empresa. Contudo, o realocamento de seus funcionários que aqui atuam trará impactos gigantescos aos setores locais de comércio e serviços. Segmentos como comércio, hotéis, pousadas e restaurantes sentirão os impactos, a partir da volta da normalidade, com o fim da quarentena. 

Prefeituras, parlamentares, setores empresariais e o Ministério Público na Baixada Santista estão em alerta. Preveem a ampliação do quadro de dificuldades num momento particular do País. Acertadamente, elegem o diálogo com as empresas envolvidas nesse processo de busca de saídas razoáveis e menos traumáticas para todas as partes. Há uma medida provisória (MP 936), que reforça a preservação dos empregos com a contrapartida da redução de salários e jornada de trabalho. É preciso usá-la, com critérios e bom senso.

Não se pode negar o potencial econômico da Baixada Santista, não somente para o setor siderúrgico, como também para as atividades ligadas à produção de petróleo. Atividades offshore, fornecedores e base de transporte, como o Aeroporto de Itanhaém, conferem um grau de excelência à região. Sem desprezar a proximidade com o maior mercado consumidor do País, São Paulo. 

O momento apresenta situações inéditas, jamais vistas no âmbito global. Mas, como toda crise tem início, meio e fim, é imperativo que sejam evitadas decisões precipitadas, cujas consequências podem ser generalizadas e de difícil reversão.

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