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Quarta-feira

23 de Outubro de 2019

Editorial A Tribuna

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Efeito reforma na economia

Mudanças na Previdência apontam melhora econômica devido as reduções de gastos

Com a aprovação da reforma da Previdência quase garantida na Câmara, a expectativa positiva para a economia começa a ganhar contornos mais contundentes. O pano de fundo por trás desse otimismo com o andamento da proposta está na redução profunda de gastos do governo nas próximas décadas. Se o poder público vai diminuir seu deficit, ele dependerá de menos recursos da iniciativa privada e consequentemente oferecerá juros menores. Como as taxas oficiais para captar dinheiro influenciam as demais dos bancos comerciais, isso significa que o crédito ficará mais barato, ampliando investimentos e consumo.

A confiança é a alma do capitalismo. Empresários e consumidores precisam confiar na solidez dos bancos, assim como o sistema bancário tem que acreditar que vai ser honrado pelos tomadores de empréstimos. Ao mesmo tempo, a sociedade privada tem que crer que o governo vai honrar contratos e ser imparcial pelo bem de todos. Sabe-se, principalmente no Brasil, que esse é o mundo ideal dos sonhos e a realidade não é assim. Mas é preciso haver a sensação de que o País tenta seguir o caminho certo, realizando ajustes e buscando justiça.

A aprovação da reforma da Previdência segue esse caminho da confiança, mas tem um significado mais profundo, que pode ser considerado o do alívio, do momento em que a nação pode respirar com um pouco mais de tranquilidade. Isso porque o ajuste da aposentadoria é apenas uma das condições para a economia se reaquecer. Faltam outras reformas, como a tributária, que já está com sua primeira comissão instalada na Câmara.

Deve-se lembrar ainda que dois fatores econômicos importantíssimos e interligados ampliam a expectativa de que a aprovação da reforma estimulará o País. São a inflação e a taxa Selic. A primeira se acalmou incrivelmente e está perto de zero. Já os juros básicos devem começar a cair neste semestre passando por até três reduções pelo Banco Central. Portanto, monetariamente o governo terá plenas condições para realizar reformas administrativas que o ministro da Economia, Paulo Guedes, prometeu e ainda praticamente não começou a aplicá-las. É o caso das privatizações, que têm como efeito benéfico reduzir a presença do Estado na economia e permitir que a iniciativa privada mais eficiente e ágil preste serviços à população.

Diz-se que se Michel Temer tivesse conseguido fazer a reforma em seu governo o País já teria acelerado o crescimento. Mas o ajuste da aposentadoria vinha sendo tentado desde Fernando Henrique Cardoso. Se cada presidente fizesse sua parte, as mudanças de hoje não precisariam ser tão profundas e traumáticas. De qualquer forma, Jair Bolsonaro atingiu uma conquista e tanto e espera-se que ele saiba aproveitar esse momento virtuoso para tirar o País da estagnação.

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