Editorial A Tribuna

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Desemprego e informalidade

A taxa de desemprego no País recuou no trimestre setembro-novembro deste ano

A taxa de desemprego no País, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, recuou no trimestre setembro-novembro deste ano. O índice foi de 11,2%, queda de 0,6 ponto percentual em relação ao trimestre anterior (junho-agosto). O número de pessoas desempregadas segue, porém, muito elevado: são 11,9 milhões sem ocupação.

O dado foi melhor do que a expectativa do mercado, que previa que a taxa cairia apara 11,4%. Mas, como destacaram técnicos do IBGE, o cenário é de lenta recuperação do emprego no País, mas fortemente marcado pela informalidade. Em um ano, o número de trabalhadores com carteira assinada avançou 1,6%, com 506 mil tendo conseguido emprego formal no período. Em contrapartida, porém, o número daqueles que trabalham por conta própria teve aumento muito mais expressivo - 3,6% - com 861 mil passando a atuar assim.

Merece atenção a influência nos recentes resultados das contratações de final de ano, tendo em vista a Black Friday, as vendas de Natal e a aproximação da temporada de verão. Das 785 mil vagas criadas de setembro a novembro de 2019, quase 70% estão associadas ao movimento natural da economia no final do ano.

A trajetória da taxa de desemprego nos últimos doze meses demonstra isso com clareza. No trimestre outubro-dezembro de 2018, o índice registrava 11,6%, quase o mesmo do atual, mas ele elevou-se para 12,7% no início de 2019, consequência das demissões dos trabalhadores temporários. De lá para cá, porém, a trajetória tem sido descendente.

Há expectativas mais otimistas agora. O setor da construção civil vem reagindo, e 180 mil vagas foram abertas no último trimestre. A maior confiança nos rumos da economia, tanto de empresários como de consumidores, permite admitir que parte significativa dos empregados contratados no final de ano poderá ser efetivada no mês de janeiro, fato que não se verificou nos últimos anos.

A indústria de transformação esboça retomada, que começa a aparecer nos empregos. Entre o segundo e o terceiro trimestre de 2019, o ritmo de contratações praticamente dobrou no País, passando de 0,6% para 1,3% e, segundo o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a participação da indústria para o aumento geral do emprego no setor privado cresceu de 3,4% para 9,1%. O maior peso veio do ramo alimentício (6,7% de crescimento quando se comparam os terceiros trimestres de 2018 e 2019) e produtos têxteis (6,3%). Mas setores de maior intensidade tecnológica ainda continuam fechando postos de trabalho, como eletrônicos (-7,2%) e máquinas e equipamentos (-4,2%).

Não há mágica à vista. O emprego continuará reagindo lentamente, e há o desafio de reduzir a informalidade, que continua muito alta no Brasil, com 38,8 milhões de pessoas nessa condição.

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