Editorial A Tribuna

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Desafios ao ensino superior

As contas públicas tomaram rumo dramático e não se deve esperar algum socorro relevante do governo

A queda de quase um terço do número de ingressos no ensino superior privado do Estado neste semestre, em comparação com igual período do ano passado, preocupa e pode até ter reflexos na oferta de mão de obra qualificada nos próximos anos. O dado, levantado pelo sindicato que representa as mantenedoras de ensino superior do Estado, a Semesp, contrasta com a alta de 18,2% das matrículas dos cursos de educação a distância (EaD), resultado claro do impacto da pandemia no poder aquisitivo das famílias paulistas. Se por um lado, muitos estão sem recursos para estudar em uma instituição privada, os que podem suportar algum custo não querem gastar muito, pois a EaD tem mensalidades mais baratas. Há ainda outra estatística que confirma as dificuldades financeiras da população - a inadimplência quase dobrou, passando de 6,8% no primeiro semestre do ano passado para atuais 10,1%.

Nas últimas semanas, as previsões para o desempenho da economia neste ano melhoraram. A expectativa de queda do Produto Interno Bruto (PIB), que era de quase dois dígitos, agora está nos 5% negativos. É um pouco pior ainda do que se verificou em um dos anos de recessão profunda do Governo Dilma Rousseff. A diferença é que, ao contrário da gestão petista, espera-se um PIB positivo em 2021, em sequência ao recessivo. Mas ainda haverá um efeito financeiro retardado sobre as famílias dos estudantes. Os economistas aguardam uma queda muito lenta do desemprego, o que vai frear a retomada, e que parte do crescimento se dará sobre setores que pararam ou patinaram, como turismo, bares e restaurantes e transporte aéreo.

As perdas do segmento de ensino privado geram duas pressões. Uma delas se dá sobre o governo, com subsídio ou financiamento das mensalidades. Entretanto, as contas públicas tomaram rumo dramático e não se deve esperar algum socorro relevante dessa parte. A outra pressão se dá sobre o próprio setor, que terá que ser ágil para encontrar soluções. Ao mesmo tempo em que sua importância é bem clara, o ensino é fundamental para a prosperidade individual e para o desenvolvimento coletivo do País, e as instituições precisam encontrar soluções econômicas para seus alunos e atender os desafios impostos pela tecnologia.

Para muitos alunos, o EaD tem a vantagem prática do preço mais baixo, principalmente na crise. Porém, outros tantos também o preferem por uma boa adaptação ao ensino remoto ou por questão de transporte, tanto que o EaD tem uma adesão maior no interior. Não há outro caminho senão oferecer diferenciais de qualidade e tecnologia para manter seus alunos e atrair os novos. A educação privada superior cresceu aceleradamente nas últimas décadas e gerou grupos de grande porte no País, inclusive alguns entre os maiores do mundo. Entretanto, a pandemia impôs mudanças profundas que vieram para ficar e todos terão que se adaptar como questão de sobrevivência.

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