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Quinta-feira

24 de Outubro de 2019

Editorial A Tribuna

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Debate entre ponte e túnel

Prosseguem as discussões sobre a ligação seca entre Santos e Guarujá

Prosseguem as discussões sobre a ligação seca entre Santos e Guarujá. Nesta semana, um workshop realizado na Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) reuniu Codesp, Ecovias, Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP) e Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp), com novas contribuições à questão.

Como é de amplo conhecimento, há a proposta de construção de uma ponte, com 7,5 quilômetros, com início no km 64 da Via Anchieta, na entrada de Santos, e término perto do acesso à Ilha Barnabé, na Área Continental de Santos. O empreendimento, que tem o aval do governo estadual, seria realizado pela Ecovias, concessionária do Sistema Anchieta-Imigrantes, que receberia, em troca do investimento por ela bancado (cerca de R$ 2,9 bilhões), prorrogação no atual contrato de operação das rodovias.

A Codesp contesta essa solução. Apesar das características da ponte - 85 metros de altura e 325 metros de vão entre pilares - que, segundo a Ecovias, permitiria o fluxo de embarcações com até 366 metros de comprimento, confirmado por testes que comprovam a viabilidade e segurança do projeto, há o temor que ela venha prejudicar a operação dos terminais e a expansão do porto, já que os pilares de sustentação limitariam o espaço de manobra dos navios e poderiam trazer riscos à segurança.

No encontro da Fiesp, a Codesp apresentou proposta de um túnel submerso entre Santos e Guarujá, que começaria na Avenida Perimetral do Porto, na altura de Outeirinhos (Armazém 23), e iria até Vicente de Carvalho. A ideia não é nova - o governo estadual defendeu essa solução no governo passado - mas há uma novidade: a redução do seu custo, que passaria de R$ 3,2 bilhões para R$ 2,5 bilhões, com mudanças nos acessos e redução nas desapropriações, embora deva ser considerado que seria necessário investir mais R$ 1 bilhão nas avenidas perimetrais.

O problema é o custeio do túnel: incluí-lo no acordo com a Ecovias é praticamente impossível, já que não haveria justificativa para aditamento do atual contrato, fora de seus limites. É incerto e duvidoso que verbas dos leilões de terminais portuários sejam aplicadas nesse projeto pelo governo federal, como deseja a Codesp. Além disso, é preciso destacar que o orçamento de R$ 3,2 bilhões foi feito há seis anos, portanto, precisa ser corrigido para patamares atuais.

É preciso, de uma vez, resolver as dúvidas técnicas sobre os efeitos da ponte no acesso e tráfego portuário. Confirmada a viabilidade do projeto da ponte, ele deve imediatamente ser implementado, já que é a solução possível e razoável para concretizar o velho sonho da ligação seca buscada há mais de 70 anos. Essa solução não inviabiliza, portanto, o planejamento e execução futura de um túnel, que pode coexistir com a ponte, uma vez que toda solução que represente mobilidade regional será sempre bem-vinda.

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