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Terça-feira

10 de Dezembro de 2019

Editorial A Tribuna

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Cresce a pobreza extrema

Em 2018, o Brasil registrou 13,5 milhões de pessoas na situação de pobreza extrema

Em 2018, o Brasil registrou 13,5 milhões de pessoas na situação de pobreza extrema – aquelas que vivem com menos de R$ 145 mensais, ou US$ 1,90 por dia – representando 6,5% da população do País. O IBGE, responsável pelas informações, ressalta que este contingente equivale à quantidade de habitantes de países como Bélgica, Grécia e Portugal. O mais dramático é a evolução desse número nos últimos cinco anos: desde 2014, mais 4,5 milhões de pessoas passaram a viver nessas circunstâncias.

O gerente do estudo, André Simões, ressaltou que houve uma queda na linha de extrema pobreza entre 2012 e 2014 e, desde então, registra-se o crescimento, sendo que em 2018 chegou-se ao maior valor da série histórica, embora sem variação significativa em relação a 2017.

O aumento da miséria foi provocado pela crise econômica de 2014-2016, que produziu recessão profunda no País, com aumento do desemprego, que praticamente dobrou entre 2014 e 2018, passando de 6,743 milhões para 12,836 milhões de pessoas, considerada a média de desocupados em cada ano. A economia retrocedeu em 2015 e 2016, tendo o PIB nacional recuado 3,8% e 3,6% em cada ano, respectivamente. O desemprego, o aumento forte da informalidade, que precariza as relações de trabalho, e a queda na renda dos trabalhadores têm, portanto, consequências imediatas no crescimento da pobreza extrema, evidenciando a importância de políticas e programas sociais para os mais necessitados, e principalmente ações efetivas para que as pessoas possam se inserir no mercado de trabalho e, assim, terem acesso a uma renda que as tirem da situação de miséria. 

Quando se analisa o quadro da pobreza – levando em conta indivíduos que têm rendimento diário inferior a US$ 5,50 (R$ 420 mensais), que é a medida adotada pelo Banco Mundial – o quadro é um pouco melhor, uma vez que 1 milhão de pessoas deixaram a linha da pobreza. Mesmo assim, um em cada quatro brasileiros vivia nessa condição em 2018.

As desigualdades também são notadas entre homens e mulheres: o rendimento médio mensal masculino é 27% maior do que o feminino. E se ampliam quando se considera a cor das pessoas. Os brancos têm renda média de R$ 2.796 mensais, enquanto pretos e pardos recebem apenas R$ 1.608, o que significa a espantosa diferença de 74% entre eles. 

Há ainda agudas diferenças regionais: quase a metade dos brasileiros (47%) abaixo da linha da pobreza estava no Nordeste, sendo o Maranhão o estado com maior percentual de pessoas nessa condição (53%). A natureza do emprego também pesa: trabalhadores com carteira ganham, em média, 71% a mais do que os informais. É um cenário extremamente preocupante, cuja reversão depende do crescimento econômico sustentável e de políticas efetivas de distribuição de renda no País. 

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