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Domingo

20 de Outubro de 2019

Editorial A Tribuna

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Clubes-empresa

Esse é o caminho capaz de renovar e transformar o atual quadro, e fortalecer o esporte no Brasil

O futebol no Brasil sempre foi tratado com absoluto amadorismo, e em muitos casos com grande dose de irresponsabilidade. Os clubes, de maneira geral, acumulam dívidas gigantescas, e seus balanços apresentam prejuízos monumentais. Levantamento realizado pela Sports Value, empresa especializada em marketing esportivo, mostrou que o deficit total dos clubes de futebol em 2018 atingiu R$ 6,9 bilhões. 

Grande parte do saldo devedor é composto por compromissos financeiros de curto prazo, o que praticamente impede as agremiações de pagar suas contas básicas. São frequentes os casos de atrasos de quitação de salários mensais, e a situação é de insolvência, não concretizada apenas porque os grandes clubes de futebol no Brasil são associações civis sem fins lucrativos, não estando prevista a possibilidade de sua falência.

Em todo o mundo, notadamente na Europa, o panorama é outro. Os grandes times internacionais são de propriedade de empresários e têm seu capital negociado na bolsa de valores, como os gigantes Manchester United, da Inglaterra, que teve lucro de US$ 238 milhões em 2018, Juventus, da Itália (lucro de US$ 47 milhões) e do PSF francês (lucro de US$ 53 milhões). Mesmo clubes que não adotam esse modelo, como Real Madrid e Barcelona, da Espanha, possuem administrações e gestões profissionais, e conseguem obter resultados expressivos, a partir de patrocínios, venda de direitos televisivos e ingressos em seus jogos.

Há movimentação para que se implante, no Brasil, o clube-empresa. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que é preciso estimulá-los, e já há um projeto no Congresso que prevê a regulamentação de uma nova figura jurídica: a Sociedade Anônima do Futebol (SAF), constituída especificamente para gerir os times profissionais e seus ativos. Seria criado um sistema tributário próprio, menos oneroso que o tradicional, unificando impostos e limitando-os a 5% das receitas mensais.

O assunto deve prosperar. O clube-empresa não quebra o interesse ou a paixão pelos clubes, como demonstra a experiência internacional. Ao contrário, oferece condições para fortalecer os grandes times, dando condições a eles para investir em contratações, e tornar o Brasil um mercado avançado do futebol mundial, capaz de manter aqui grandes craques e atraindo ainda jogadores de outros países.

Alguns clubes já vêm ensaiando passos nessa direção, e têm adotado práticas administrativas comuns às empresas, e assim vêm atraindo interesse de investimentos privados. Esse é o caminho capaz de renovar e transformar o atual quadro, e fortalecer o esporte no Brasil. Clubes bem sucedidos dentro de campo precisam estar com suas finanças em ordem. Sem preconceitos, e com os necessários cuidados em sua regulamentação, o clube-empresa deve avançar no País. 

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