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Segunda-feira

20 de Maio de 2019

Editorial A Tribuna

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China e EUA em guerra comercial

Essa beligerância prejudica a todos, e ameaça reduzir o crescimento global, com consequências para todos os países do mundo

Agravou-se a disputa comercial entre China e Estados Unidos. Na sexta feira o presidente Donald Trump impôs tarifas adicionais sobre mais de US$ 200 bilhões em exportações chinesas. Sem acordo à vista, a China retaliou imediatamente, e vai sobretaxar US$ 60 bilhões em produtos americanos, incluindo produtos de origem animal, frutas e legumes congelados, e temperos. A escalada parece não ter fim, uma vez que os EUA já iniciaram processo para impor taxas a mais de US$ 300 bilhões em produtos originários da China, atingindo praticamente todos os tênis, computadores e smartphones que são hoje comprados pelos americanos.

Essa beligerância prejudica a todos. Ameaça reduzir o crescimento global, com consequências para todos os países do mundo. Os efeitos no mercado financeiro foram imediatos: na segunda-feira, com maior aversão ao risco, houve queda generalizada nas Bolsas de Valores, incluindo no Brasil, onde o Ibovespa recuou 2,69%, fechando no menor patamar desde 7 de janeiro. Nos Estados Unidos, o índice Nasdaq caiu 3,41% e o Dow Jones 2,38%.

O presidente Donald Trump, em seu estilo característico, culpou a China pelo colapso das negociações comerciais recentes, acusando o governo de Pequim de ter recuado de um acordo “já 95% pronto”, fato que teria desencadeado sua ordem de elevar as tarifas sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses, que passaram de 10% para 25%.

Espera-se que o encontro entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, em junho, durante a cúpula do G-20 no Japão, possa atenuar a crise. Até lá, as tensões devem aumentar, e está em jogo a atual ordem mundial, com confronto entre as duas maiores superpotências, em clara ameaça à globalização. Do lado americano, há a acusação que o sistema econômico mundial está operando com enorme desvantagem para os EUA, enquanto a China reclama do domínio político e estratégico norte-americano.

Para o Brasil, embora haja possibilidade de maiores exportações para a China, notadamente soja, substituindo o produto americano, em prazo mais longo há riscos consideráveis de redução de compras, com preços menores no mercado internacional. A cotação da soja caiu na Bolsa de Chicago na segunda-feira, prenunciando o movimento de queda. Apesar do Brasil ter sido até aqui privilegiado agora nas compras da commodity pelos chineses, a desaceleração econômica por eles sofrida, que pode se agravar, faz com que as importações de soja fiquem em 86 milhões de toneladas na safra 2018/2019, 8 milhões a menos do que na anterior.

Guerras comerciais não interessam ao mundo. Aumentam a instabilidade e as incertezas, elevam, de modo inevitável, à redução do crescimento econômico, que acaba por atingir todos os países, exigindo, portanto, ações para que sejam contidas e evitadas.

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