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Quarta-feira

20 de Novembro de 2019

Editorial A Tribuna

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Cenários para a disputa em 2022

A principal variável que deve condicionar o processo eleitoral é o desempenho da economia

As eleições presidenciais só acontecerão em 2022, mas as articulações em torno da sucessão de Jair Bolsonaro já começaram. O presidente, após declarar que não seria candidato à reeleição, mudou de posição e dá claras indicações que pretende continuar no cargo por mais quatro anos. Isso pode ser percebido em vários movimentos, como na relação até certo ponto instável com o ministro Sergio Moro, visto como potencial candidato e com popularidade superior atualmente à dele, bem como o atual confronto com o PSL, na busca de espaço político a partir das eleições municipais de 2020.

A principal variável que deve condicionar o processo eleitoral em 2022 é o desempenho da economia. As chances de Bolsonaro reeleger-se aumentam na medida em que o crescimento se confirmar, com avanço do PIB e redução do desemprego. Mais do que a pauta conservadora, que não entusiasma maiorias, ou a agenda contra corrupção que, embora presente, perde força com o tempo, a retomada econômica é chave para a conquista de apoios e confiança.

Não há dúvida, porém, que haverá disputa em 2022. Se a esquerda parece enfraquecida e com muita dificuldade para apresentar-se ao eleitorado com chances reais, o centro parece mais ativo, na busca de alternativas. Uma delas envolve o apresentador Luciano Huck, que já se movimentou como pré-candidato em 2018.

Ele busca agora representar amplo campo, que vai da centro-esquerda à visão liberal reformista, como destaca um de seus principais apoiadores, o ex-governador do Espírito Santo, Paulo Hartung. O trabalho é profissional, com a avaliação contínua da viabilidade da candidatura por meio de pesquisas. Há informações que ele já aparece em terceiro lugar, com intenção de votos superior à de Ciro Gomes, que, em entrevista recente, desqualificou-o como um “estagiário”. De cada cinco eleitores de Lula, três admitem votar em Huck, indicando sua penetração nas classes C e D, simpatizantes do lulismo. 

Vários movimentos que têm crescido no País, como o Agora e o RenovaBR, inclinam-se por Luciano Huck, e seu círculo de mentores inclui nomes destacados como Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, com a simpatia de figuras importantes da política brasileira, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o presidente nacional do DEM e prefeito de Salvador, ACM Neto e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, embora este também alimente sonhos de concorrer em 2022.

No mundo há exemplos recentes de figuras da mídia que venceram eleições, como o presidente da Ucrânia, o ator e comediante Volodimir Zelensky, e o presidente da Guatemala, também ator Jimmy Morales. É cedo para conclusões, e o staff de Huck assegura que nenhum passo será dado antes de 2021, mas até lá seu nome estará na bolsa de apostas da corrida presidencial. 

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