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16 de Novembro de 2019

Editorial A Tribuna

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Explicação de queda do Brasil no mercado de ações está no comportamento da economia nacional

Quando se compara a alocação de fundos no mercado de ações para países emergentes, é possível perceber, com nitidez, que o Brasil perdeu espaço na última década. Em dezembro de 2009, o país liderava o ranking, recebendo 16,7% de toda a indústria de fundos dedicados a nações emergentes; em agosto de 2019, a fatia estava reduzida à metade, com 8,3%. Nesse período, houve forte avanço da China, que passou de 15,3% para 27,1%, tornando-se líder das carteiras dedicadas a emergentes, enquanto o Brasil ficou atrás de Taiwan, Coreia do Sul e Índia.

A explicação para a queda está no comportamento da economia nacional, que entrou em crise, tendo enfrentado um impeachment presidencial e forte recessão, causando frustração nos investidores, sem clareza sobre qual seria a agenda econômica, agravada pela instabilidade política.

O cenário parece estar se modificando. Embora os riscos políticos e sociais tenham se agravado na América Latina, com ondas de protestos se espalhando pela região, o Brasil e o México são vistos como países atrativos para investimentos internacionais. É fato que o otimismo com a economia regional diminui – passou de 69% no segundo trimestre deste ano para 61% no terceiro e poderá cair ainda mais – mas há, pelo menos nos casos brasileiro e mexicano, maior interesse diante da dimensão e profundidade desses mercados.

Recentemente, a BlackRock, maior gestora global de ativos, com US$ 6,52 trilhões, identificou fluxo positivo para o fundo de índice ligado ao Brasil e administrado pela companhia. Ainda não é possível atestar a consistência e a continuidade desse movimento, mas o dado permite concluir que qualquer melhora no cenário externo possibilita antever fluxo maior para o Brasil, dada a história do país, seu tamanho e relevância.

Fundos internacionais ainda estão retirando dinheiro do mercado nacional – neste ano foi US$ 1,02 bilhão da renda variável local, até agosto, a primeira saída em quatro anos, mas analistas avaliam que isso está mais associado à desaceleração global e aos efeitos da guerra comercial, que produzem movimento para ativos mais defensivos e a saída do mercado de ações.

Após longo período de dificuldades, o Brasil volta a ganhar importância no mercado financeiro internacional, uma vez que é visto como um dos poucos países com expectativas de crescimento mais sólidas no mundo, com juros baixos, inflação controlada e contas externas equilibradas. Mas é preciso ainda avançar mais: a situação fiscal é frágil, e o país registra um dos maiores deficits nominais na comparação com outras economias, embora haja previsão de melhoria das contas públicas ao longo do tempo, começando com a reforma da Previdência.

No fundo, a retomada do crescimento e a perseverança nas reformas são a chave para que os fundos estrangeiros venham e aqui fiquem.

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