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Quarta-feira

5 de Agosto de 2020

Editorial A Tribuna

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Caminhos da vacina

Será preciso definir que preço se vai pagar pelas doses, algo que será imposto pela demanda, bem superior à oferta

A pandemia com seus efeitos – sanitários, sociais, psicológicos e econômicos – é tão surpreendente e imprevisível que conseguiu associar dois elementos distintos, a vacina e o ouro. A relação parece um tanto sem sentido, mas simboliza tempos de indagações, como até quando o coronavírus vai se disseminar e como ficará a humanidade e seu trato com o planeta depois da Covid-19. O metal, que pouca utilidade prática tem, valorizou-se 25% neste ano em Nova Iorque e 56% em São Paulo. Já a imunização passa por uma corrida mundial que vai apontar qual laboratório vai chegar lá primeiro. O objetivo é a saúde, mas, por trás, há muito dinheiro envolvido, que é quase todo público. Na seara estatal, quando há muita verba e um clamor generalizado para que seja empregada logo, os riscos de desperdício, ineficiência e desvios aumentam. Preocupa a forma como os governos agirão daqui para frente. Principalmente no Brasil, palco recente de superfaturamento de respiradores e de roubo de recursos do transporte escolar, este ainda considerado suposto por estar em fase de investigação. 

Um balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgado no dia 20 pelo jornal inglês The Guardian aponta que há 173 vacinas em desenvolvimento no mundo. A imensa maioria, 140, está em teste pré-clínico e apenas três atingiram a fase 3, a última antes da aprovação oficial. Por isso, é provável que mais de uma seja adquirida pelos governos ao redor do mundo. O banho vacinal não precisará chegar a 100%. Segundo o Centro Paulista de Investigação Clínica (Cepic), que participará no próximo mês dos testes da Pfizer, uma cobertura entre 50% e 70% da população já será capaz de interromper a circulação do novo coronavírus. 

Em meio a essa expectativa, observa-se a confusão em que se transformou o combate à covid-19 no Brasil, uma descoordenação que estendeu a fase aguda da pandemia no Brasil. Mas, torce-se pela competência estatal na distribuição de eventual vacina. Haverá prioridades e elas são óbvias: primeiro os profissionais de saúde, os pacientes com comorbidades e os maiores de 60 anos. Em meio a isso será preciso definir que preço se vai pagar pelas doses, algo que será imposto pela demanda, bem superior à oferta. Desde já é preciso definir como as compras serão realizadas. O governo central vai comandar tudo ou cada estado vai ter seus critérios? Haverá uma comissão para disciplinar e fiscalizar as compras, que devem ser bilionárias? 

Enquanto não se tem a vacina, os mercados seguem incertos, apesar de ganharem muito dinheiro com isso. A cada anúncio de etapa vencida por um laboratório, ações disparam, inclusive de segmentos não correlacionados à imunização, pois saúde agora é sinal de retomada mais forte da economia. Por isso, planejamento e auditoria serão essenciais para garantir que a proteção chegue à população o mais rápido possível. 

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