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Sábado

15 de Agosto de 2020

Editorial A Tribuna

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Brasil impopular no exterior

O único caminho a ser tomado é o de mostrar uma posição firme com ações contra a destruição ambiental

Se não bastassem os problemas com a pandemia e a recessão imposta por ela, a crescente deterioração da imagem brasileira no exterior se tornou fonte extra de intensa preocupação. Isso está por trás das restrições que agentes econômicos e políticos já adotam contra o Brasil, mais notadamente relacionadas à devastação da Amazônia, lembrando que ontem foi comemorado o Dia do Meio Ambiente. Tais iniciativas merecem ser observadas com muita atenção porque têm impacto sobre as exportacões e obviamente o Porto de Santos.

Nesta semana, o Parlamento holandês deu a mais clara sinalização ao vetar o acordo comercial da União Europeia com o Mercosul, mencionando a destruição das florestas, com forte participação dos deputados verdes e demonstrando ainda a ação de protecionistas. O fundo soberano norueguês, o maior do mundo e com US$ 1 trilhão em investimentos, também anunciou a exclusão da Vale e da Eletrobrás de sua carteira. A instituição, que administra os ganhos do país nórdico com o petróleo, alegou, respectivamente, a construção de usina hidrelétrica na Amazônia e do desastre ambiental e humano de Brumadinho como motivos do afastamento.

Fora isso, é grande o número de operadores do mercado financeiro brasileiro que relatam dificuldades para atrair capital estrangeiro para o País e uma saída contínua de “gringos” logo após a aprovação da reforma da Previdência. A queda dos juros desestimulou esse ingresso devido à baixa remuneração dos juros na hora que se transforma dólar em reais para investir aqui, mas há um nítido movimento de imagem negativa pesando contra.

Fato determinante para isso são os incêndios que se espalharam pela Amazônia há um ano, um caso muito mal conduzido pelo governo. Além disso, o Itamaraty não soube calcular a influência de celebridades e militantes ambientalistas, como a sueca Greta Thunberg, críticos rigorosos da gestão federal nessa área. Deve-se acrescentar ainda o alerta recente do fotógrafo Sebastião Salgado, que pediu atenção internacional contra a ameaça do genocídio de indígenas, protesto compartilhado por artistas do primeiro times mundial, como Paul McCartney. 

O resultado é que jornais, principalmente os especializados em economia, passaram a publicar rotineiramente reportagens em geral associando o agronegócio à degradação ambiental. Será o pior dos mundos se campanhas internacionais de boicote começarem a ganhar intensidade a ponto de prejudicar as exportações brasileiras. Possibilidade que apavora o Interior do País em momento de elevada produção agrícola. O único caminho a ser tomado é o de mostrar uma posição firme com ações contra a destruição ambiental. Também é preciso conter declarações como as do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de passar a “boiada” para alterar o regramento do setor, bravata que teve repercussão no exterior e que prejudicou o País. 

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