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Terça-feira

22 de Outubro de 2019

Editorial A Tribuna

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Bolsonaro e sua popularidade

Nota-se claro acirramento de posições e opiniões no País, que confirma, por um lado, o apoio, enquanto os opositores crescem

Duas pesquisas foram divulgadas sobre o governo do presidente Jair Bolsonaro. Uma delas, realizada pelo instituto MDA, para a Confederação Nacional do Transporte (CNT), indicou que 53,7% dos entrevistados desaprovam o desempenho pessoal do presidente, enquanto 41% aprovam. Os números indicam forte queda em seis meses, uma vez que, em fevereiro, a aprovação era de 57,5% e a desaprovação 28,2%. O outro levantamento, do instituto FSB para a revista Veja, embora apresentando números um pouco menos negativos, confirmou que a quantidade de pessoas que desaprovam o presidente (48%) supera a dos que o aprovam (44%).

Um dado importante revelado pelo MDA é que Bolsonaro conserva um núcleo duro de apoio: o número de pessoas que avaliam o governo de modo positivo manteve-se praticamente inalterado (eram 29% em fevereiro; são 29,4% em agosto). O crescimento das avaliações negativas (que atingiu 39,5% agora, contra 19% há seis meses) se deu entre aqueles que consideravam o governo como regular e aqueles que não sabiam ou não tinham opinião a respeito.

Nota-se claro acirramento de posições e opiniões no País, que confirma, por um lado, o apoio, enquanto os opositores crescem. Para o MDA, saúde, meio ambiente e educação são as áreas com pior desempenho. Destaque-se que tanto a questão ambiental como educacional tem sido setores mais polêmicos, envolvendo ministros que não hesitam em tomar posições extremadas. Os destaques, segundo o instituto FSB, estão no combate à corrupção (34%) e segurança (15%), evidenciando que o apoio ao ministro Sergio Moro segue alto entre a população. Em contrapartida, pioraram a saúde (22% das opiniões), o combate ao desemprego (17%) e a educação (15%).

Segundo o MDA, as piores ações do governo são o decreto de armas, o uso de palavras ofensivas e comentários inadequados, o contingenciamento de verbas na educação e a influência dos filhos do presidente na gestão. Neste último ponto, destaca-se a rejeição à indicação do deputado Eduardo Bolsonaro à embaixada do Brasil nos Estados Unidos: 72,7% consideram-na inadequada, e o presidente não deveria nomear membros da família para cargos como esse.

Embora apenas 11% dos entrevistados pelo FSB tenham considerado o governo muito melhor do que o esperado, e 16% um pouco melhor do que o esperado, a expectativa sobre o final do mandato, até 2022, ainda se mantém alta: 45% consideram que Jair Bolsonaro fará, ao final, um governo ótimo ou bom. Pesa a favor do presidente a política econômica: apesar da retomada ainda tímida das atividades, o ambiente ainda é favorável, com a aprovação da reforma da Previdência e perspectivas para 2020, embora isso não apareça com clareza nas pesquisas. Mas há problemas na condução do governo, e isso envolve o estilo e a postura do presidente.

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