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Quinta-feira

24 de Outubro de 2019

Editorial A Tribuna

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Base de Bolsonaro

Houve queda expressiva da aprovação entre os mais ricos, com as opiniões bom e ótimo recuando de 52% para 37%, e a avaliação segue muito ruim na região Nordeste

Recente pesquisa Datafolha, realizada entre 29 e 30 de agosto, mostrou crescimento da reprovação do governo do presidente Jair Bolsonaro. 38% dos entrevistados avaliam-no como ruim ou péssimo, 5% a mais do que no levantamento anterior, realizado no início de julho. Seu governo tem a pior avaliação após oito meses do primeiro mandato. Na mesma época, FHC tinha 15% de ruim/péssimo, Lula, 10% e Dilma, 11%.

Nota-se que há deterioração importante: houve queda expressiva (entre início de julho e final de agosto) da aprovação entre os mais ricos, com as opiniões bom e ótimo recuando de 52% para 37%, e a avaliação segue muito ruim na região Nordeste (a rejeição chegou a 52%, aumento de 11 pontos no período) e entre os mais pobres (apenas 22% de bom e ótimo).

Embora ainda haja boa dose de esperança em relação ao futuro do atual governo (45% têm expectativa boa ou ótima daqui para frente), ela declinou em relação às pesquisas anteriores: em abril eram 59%, em julho 45%. A rejeição ao comportamento do presidente também cresceu, passando de 25% para 32% entre julho e agosto, e 44% dos entrevistados agora responderam que nunca confiam nas declarações de Bolsonaro.

Permanece firme, porém, a parcela que o apoia, estacionada no patamar de 30%. A série de pesquisas realizadas pelo instituto MDA para a Confederação Nacional dos Transportes (CNT) confirma esse fato: entre fevereiro e julho a avaliação positiva do governo manteve-se em 29%. Trata-se de contingente que está de acordo com as posições de Bolsonaro em praticamente todas as questões, e que se alinha à direita no espectro político.

Deve ser salientado que o crescimento da direita não é fenômeno exclusivamente nacional: em todo o mundo, lideranças e propostas conservadoras têm tido respaldo e apoio. Basta observar o avanço da extrema-direita na Alemanha: em eleições regionais no último domingo, o partido Alternativa para Alemanha (AfD) cresceu e se tornou a segunda força nos estados da Saxônia e de Brademburgo. 

Bolsonaro parece governar para o segmento que o apoia, enfatizando posturas que o afastam do centro político. Deve ser ressaltado que sua eleição em 2018 decorreu do apoio que recebeu de amplos setores, que, sem concordar totalmente com suas teses, viram nele a alternativa para o combate à corrução e à violência. Ele segue indiferente, reforçando o discurso radical em vários temas, sem preocupar-se com a rejeição crescente. O tom belicoso é, entretanto, perigoso e pode erodir ainda mais sua popularidade.

O presidente deveria preocupar-se com o crescimento de sua reprovação entre homens, moradores da região Sul e entre aqueles que têm maior renda e escolaridade, que o apoiaram fortemente em 2018. 25% daqueles que votaram nele disseram que não repetiriam a opção, se a eleição fosse hoje. 

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