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Sexta-feira

28 de Fevereiro de 2020

Editorial A Tribuna

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Baixo crescimento econômico

Levantamento realizado por membro do Ibre-FGV aponta que última década foi um dos piores períodos da história brasileira

Levantamento realizado pelo economista Marcel Balassiano, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV), com base em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), mostrou que a década 2010-2019 foi um dos piores períodos de crescimento econômico da história brasileira. O PIB cresceu a taxa média de 1,3% ao ano, ficando abaixo de 160 países (do total de 193 pesquisados). 

O ritmo médio de expansão da economia brasileira foi quase um terço da média mundial no período (3,8% ao ano), e muito inferior ao dos países emergentes (5,1% anuais). A década começou com excelente resultado (crescimento de 7,5% em 2010), e registrou 4,1% ao ano entre 2010-2013. Após 2014, o País mergulhou em recessão, com o PIB recuando fortemente em 2015 e 2016 e atingindo níveis muito baixos (ao redor de 1% ao ano) entre 2017 e 2019.

Os graves erros de política econômica, iniciados no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aprofundados por sua sucessora, Dilma Rousseff, tiveram forte peso nesses resultados. O ambiente de incerteza instalou-se no País, comprometendo a confiança de empresários e consumidores, levando à retração dos investimentos e aumento forte do desemprego.

Após 16 anos de superavits primários, o Brasil teve a situação revertida, com enormes deficits, que persistem até hoje. Destaquem-se ainda problemas estruturais não resolvidos, como a qualidade precária da educação, a falta de infraestrutura, as deficiências na saúde, e a baixíssima produtividade nacional. 

Com a grande queda do PIB nos anos 2010 e sem recuperação significativa no período seguinte à recessão (2014-2016), o resultado foi pior ainda que o da década de 1980, conhecida como “perdida”, quando o crescimento médio atingiu 2,9%. Os números evidenciam, portanto, a importância e a urgência de reverter o quadro, e iniciar um novo ciclo no País.

O crescimento econômico, de modo isolado, não é suficiente para promover a melhoria das condições de vida da população. Em muitos casos, ele é concentrador de renda e favorece o aumento da desigualdade. O caso do Chile, que viveu recente convulsão social, é exemplo disso. Mas, por outro lado, crescer, com suas consequências positivas, como a geração de empregos, é absolutamente necessário para que o País possa encontrar soluções para seus problemas.

Há otimismo em relação ao desempenho da economia brasileira. O boletim Focus do Banco Central indica que o PIB deve crescer 2,3% em 2020. Pode não ser um resultado espetacular, quando comparado com países como a China ou a Índia, mas significa importante inflexão em relação à década passada, e restabelece, pelo menos, a média do crescimento econômico do Brasil nos últimos quarenta anos. 

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