Editorial A Tribuna

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Auxílio, o remédio da pandemia

O País errou ao antecipar a retomada com o vírus ainda em circulação e essa estratégia agora tem um alto custo

O alerta dos economistas é bem claro. Ou o governo estica o auxílio emergencial ou os atuais beneficiários vão engrossar a fila do desemprego em uma extensão há muito tempo não vista no País. O recado foi bem entendido em Brasília e o Palácio do Planalto tratou de avisar que “pensa” em prolongar o programa até dezembro. A explicação está na persistência da covid-19 frente a um arsenal de medidas precocemente afrouxadas. Assim, o novo coronavírus encontrou brechas para avançar por corredores de vulnerabilidade no País. Com uma população doente ou sob risco de ser contaminada, a precaução retarda o consumo dos cidadãos e os investimentos das empresas. O resultado está na fraqueza do mercado de trabalho, que obviamente não conseguirá absorver os novos entrantes, o que pode alimentar um quadro de recessão. 

O pessimismo não é consenso, mas é preciso olhar para ele por uma questão de sobrevivência, preparando-se para o pior. Há aqueles que acreditam que haverá recessão após uma breve retomada, mas existe o grupo que vê fundamentos para o crescimento vir logo, pois os juros estão baixos e a inflação controlada. Esse quadro estimularia o crédito e o consumo, como se vê agora com os financiamentos na construção. Como o empréstimo da casa própria vislumbra prazos longos, muita gente enfrenta o medo do desemprego para aproveitar taxas nunca tão baixas no País. 

O ônus recai sobre os governos, que cedo ou tarde vão cobrar a conta das empresas e dos cidadãos. Mas há uma diferença. Países com histórico de estabilidade e solvência, como os europeus, os Estados Unidos e alguns asiáticos de ponta, como o Japão, encontrarão financiadores para suas dívidas a um baixo custo porque não geram expectativa de calote. Não é o caso das demais economias de passado recente problemático. É provável que para se financiarem tenham que aumentar as taxas de juros e oferecer títulos de curto prazo (o investidor fica exposto menos tempo ao risco de calote).

Neste momento, o ministro da Economia, Paulo Guedes, encontra-se pressionado duplamente. Pelo Congresso para engrenar uma reforma tributária sem aumento de impostos e, do lado do Palácio do Planalto, para garantir fundos para o governo lançar um novo Bolsa Família suficiente para sua sobrevivência eleitoral. 

Por trás de tanta dificuldade está justamente a demora está o apelo ao improviso, tão comum no Brasil, frente à pandemia. A bala de prata é a vacina, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou contra a corrida pela imunização – o insucesso também é uma possibilidade. O País errou ao antecipar a retomada com o vírus ainda em circulação e essa estratégia agora tem um alto custo, que são as mil mortes diárias e programas de socorro impagáveis. Agora, é preciso administrar o atual quadro para que não piore, torcer por boas notícias da ciência e que os mais otimistas estejam certos. 

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