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Domingo

29 de Março de 2020

Editorial A Tribuna

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Aumentar testes de coronavírus

No Brasil, autoridades de saúde alegaram que não tinham kits suficientes para testar todos os casos suspeitos e assim recomendaram que as verificações fossem feitas apenas em situações mais graves

A Baixada Santista vem enfrentando sérias dificuldades para confirmar casos de Covid-19. Há várias mortes de pessoas com suspeita de infecção pelo coronavírus, mas os resultados dos exames enviados ao Instituto Adolfo Lutz demoram muito para ficar prontos. As prefeituras dizem que o prazo tem passado de 10 dias, quando o normal seria de 2 a 5 dias. 

A questão é séria e está na contramão do que preconiza a Organização Mundial da Saúde (OMS). Em conferência de imprensa realizada na semana passada, o diretor-geral da entidade, Thedros Adhanom Ghebreyesus, passou uma mensagem simples a todos os países: "testem, testem, testem", acrescentando que o mundo deveria estar apto a testar todos os casos suspeitos, não sendo possível lutar contra a pandemia às cegas.

No Brasil, as autoridades de saúde alegaram que não tinham kits suficientes para testar todos os casos suspeitos e assim recomendaram que as verificações fossem feitas apenas em situações mais graves, envolvendo pacientes internados, aqueles com quadro grave e os que precisavam ter o diagnóstico em função de sua situação clínica. Isso, entretanto, deve ser rapidamente superado com a aquisição de pequenos equipamentos que permitem resultados praticamente imediatos.

Ações vigorosas de testagem, como na Coreia do Sul, diminuíram de modo muito expressivo a expansão do vírus, e mesmo na conflagrada Itália, que registra o maior número de mortos, a cidade de Vo conseguiu deter totalmente o número de infecções após ter submetido toda a sua população (3.300 pessoas) aos testes.

Conhecer os doentes e poder agir para isolá-los é fundamental no atual momento. Feito o diagnóstico correto, é possível agir de modo preciso no controle do contágio e isso tem se revelado a estratégia mais consistente e eficiente no combate à expansão do coronavírus, como demonstram as experiências internacionais.

Nesse sentido, é muito positiva a iniciativa do governo do Estado de São Paulo de montar uma rede com capacidade para realizar 2.000 testes por dia. O trabalho será realizado por 17 laboratórios ligados à USP a partir de hoje, e também o prefeito da capital, Bruno Covas (PSDB), anunciou que foram adquiridos mais 100 mil unidades, que devem chegar na próxima semana. E o Ministério da Saúde pretende ampliar para 22,9 milhões no número de testes, passando da capacidade atual de 6,7 mil por dia para 30 a 40 mil.

É preciso agir com rapidez. É inaceitável que a Baixada Santista tenha ficado vários dias sem saber se havia casos confirmados na região, retardando ações urgentes de isolamento em áreas específicas. O desafio de testar, testar, testar, como preconiza a OMS, deve nortear as ações das autoridades de saúde, e ser enfrentado na região.

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