Editorial A Tribuna

A Tribuna é o maior e mais antigo jornal impresso a circular na Baixada Santista. São 126 anos contando e publicando histórias.

Acesse todos os textos anteriores deste colunista

As vacinas como motor da economia

O desempenho das empresas estará atrelado ao nível da cobertura da vacinação no próximo ano

Já é praticamente certo que o País enfrentará imensos desafios no começo do próximo ano com o alto endividamento público e a dificuldade para renovar uma parte volumosa de seus títulos (em resumo, o Tesouro precisará convencer o credor a não exigir juros mais altos). Ainda fica o suspense se o governo encontrará uma brecha para lançar o Renda Cidadã ou algo similar. O restante do ano fica por conta do setor privado, que já atribui sua capacidade de recuperação à eficácia das vacinas. É sob este aspecto que o economista Armando Castellar Pinheiro, um dos maiores conhecedores das áreas de infraestrutura, contas públicas e gestão empresarial do País e hoje pesquisador da Fundação Getúlio Vargas, em artigo no jornal Valor, mostra a importância dos imunizantes para a economia. Segundo ele, o desempenho das empresas estará atrelado ao nível da cobertura da vacinação. 

Clique e Assine A Tribuna por apenas R$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em dezenas de lojas, restaurantes e serviços!

Um dos pontos positivos é de que a eficácia acima de 90% dos produtos da Sinovac, Pfizer e AstraZeneca, entre outros fabricantes, vai garantir uma boa cobertura da população mesmo se parte dela, por medo ou teorias da conspiração, decidir não se imunizar. Uma pesquisa do Deutsch Bank, citada por Pinheiro, apontou que 15% dos entrevistados pretendem tomar o imunizante assim que disponibilizado, enquanto 11% recusarão qualquer vacina. Os dados restantes também preocupam – 23% querem se vacinar nos primeiros três meses, 25% o farão durante um semestre após o lançamento e 19% mais tarde do que as outras alternativas (7% não responderam ou não sabem). O universo dos entrevistados é de apenas profissionais do mercado financeiro, um público altamente formado e que acompanha o noticiário, inclusive o das vacinas pela própria natureza de suas funções (impacto do imunizante nos negócios). 

A média de adesão da sociedade brasileira pode até ser mais generosa – no Brasil, a vacinação está profundamente inserida na questão da saúde pública ou privada. De qualquer forma, há focos de resistência que podem retardar a eficácia da imunização. Principalmente se a adesão for gradual, com muita gente esperando notícias de eventuais efeitos nocivos para decidirem depois se vão se proteger contra esse vírus ardiloso. 

Portanto, o papel do governo e também do presidente Jair Bolsonaro é fundamental para o sucesso da vacinação e, por consequência, da retomada da economia. Infelizmente por parte do Palácio do Planalto e do comando do alto escalão bolsonarista do Ministério da Saúde não se pode esperar iniciativas animadoras. A morosidade e a fantasia de contornos xenofóbicos, além da ideia absurda dos mais radicais por um mundo sem vacinas, podem se tornar ruídos retardadores do banho vacinal do País. Parte do cidadão comprometido com sua sociedade zelar pela verdade e pressionar os governos, dos municipais ao federal, para agirem com base na ciência. 

 

Tudo sobre:
 
Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna.
As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.