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Terça-feira

11 de Agosto de 2020

Editorial A Tribuna

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Aquecimento global

Emissões aumentaram 1,5% ao ano na última década, atingindo em 2018 o recorde de 55,3 gigatoneladas de CO2

A evidência científica sobre o aumento da temperatura do planeta é cada vez maior, e não há dúvida que isso se deve à emissão de gases de efeito-estufa, sendo o CO2 o principal deles.

O relatório "Emissions Gap 2019", que o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) divulgou nesta semana, mostrou que as emissões aumentaram 1,5% ao ano na última década, atingindo em 2018 o recorde de 55,3 gigatoneladas de CO2 equivalente, incluído nesse total as provenientes da mudança do uso do solo, como desmatamento.

Para que o aumento da temperatura média global seja contido em 2°C, como é a meta do Acordo de Paris, celebrado em 2015, as emissões anuais em 2030 teriam que ser 15 gigatoneladas de CO2 equivalente menores em relação aos compromissos que foram assumidos pelos países do mundo.

Para conter a elevação em 1,5°C, o corte seria ainda maior: 32 gigatoneladas de CO2 equivalente. Em resumo, alerta o relatório do Pnuma, se o planeta quiser conter o aumento da temperatura média em 1,5ºC em 2100, terá que cortar as emissões de gases de efeito-estufa em 7,6% ao ano na década entre 2020 e 2030.

Trata-se de objetivo muito difícil de ser concretizado, levando em conta o atual estágio das negociações sobre mudanças climáticas, e a resistência de países como os Estados Unidos de implementar medidas efetivas nesse sentido. Especialistas alertam que é preciso agir imediatamente, e isso passa principalmente pelos países do G-20, que são responsáveis por 78% das emissões. Quinze das 20 nações, entretanto, não se comprometeram até agora com cronogramas para chegar a emissões líquidas zero.

Há várias propostas a desenvolver. No caso do Brasil, o relatório sugere descarbonizar totalmente a geração de energia elétrica até 2050, ao mesmo tempo em que seja impulsionada a produção e venda de carros elétricos, complementada com biocombustíveis, para se ter uma frota de veículos 100% livre de CO2.

No caso do desmatamento e uso da terra, os especialistas recomendam manter e ampliar os mecanismos que promoveram sua redução entre 2004 e 2015, além de fortalecer o sistema de monitoramento. Nesse ponto, preocupa sobremaneira a situação da Amazônia brasileira, cujo índice de desmatamento cresceu 29,5% no período 2018-2019.

Cada vez há menos tempo para reagir. Três gases respondem por 89% do efeito estufa - CO2, 66%, metano, 17% e óxido nitroso, 6% - e não há sinais de desaceleração de suas emissões. A concentração de CO2 bateu novo recorde de concentração em 2018, com 407,8 partes por milhão, ou seja, 147% a mais que o nível pré-industrial de 1750. Na mesma linha, o metano, cujas emissões são provocadas em 60% pela atividade humana (gado, cultivo de arroz, exploração de combustíveis fósseis, aterros etc.) teve um crescimento de 159% no mesmo período.

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