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Segunda-feira

18 de Novembro de 2019

Editorial A Tribuna

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Apoio a Moro

De acordo com pesquisa do Instituto Datafolha, realizada no fim de agosto, a gestão do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, é considerada boa ou ótima para 54% dos entrevistados

A última pesquisa do Instituto Datafolha, realizada no fim de agosto, revelou que a aprovação ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, manteve-se alta. 54% dos entrevistados consideraram sua gestão como boa ou ótima, praticamente o mesmo percentual de julho, embora inferior ao registrado em abril (63%).

Moro é o ministro mais popular do governo, já que 95% disseram conhecê-lo. Sua aprovação também é a maior na equipe ministerial, bem à frente de Paulo Guedes, da Economia (38%) e de Tarcísio Freitas, da Infraestrutura (36%). Os números mostram ainda que o apoio recebido por ele é bem superior ao do presidente Jair Bolsonaro, cuja avaliação positiva vem declinando e chegou agora a 29%.

Mesmo levando em conta as dificuldades que Moro tem enfrentado, entre os quais a perda do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para o Ministério da Economia, o não avanço do projeto de lei anticrime por ele apresentado e o vazamento de conversas com procuradores da Lava Jato, a opinião pública continua valorizando o seu trabalho.

Moro representa, para o cidadão, o combate firme e destemido à corrupção. Sua atuação como juiz na Operação Lava Jato deu a ele visibilidade e reconhecimento, capital que se mantém firme. Nas eleições de 2018 dois fatores - combate à corrupção e enfrentamento da violência urbana - pesaram de maneira decisiva para a vitória de Jair Bolsonaro nas urnas, e o atual ministro da Justiça representa, melhor do que ninguém, essas questões.

Não surpreende que os eleitores de Bolsonaro considerem a gestão de Moro como boa ou ótima por larga maioria (80%), o mesmo acontecendo entre aqueles que apoiam atualmente o governo (88%) e simpatizantes do PSL (97%). Deve ainda ser ressaltado que, entre os principais problemas do País, a soma daqueles que indicaram segurança pública (11%) e corrupção (9%) supere o percentual que foi dado à saúde, educação e desemprego de modo isolado.

É inquestionável que Moro segue com apoio e confiança, e sua eventual saída do governo, em função de atritos com o presidente - a sucessão na Polícia Federal, com a provável saída do atual diretor-geral Maurício Valeixo, seria a próxima batalha entre eles - teria consequências muito negativas para o governo. No atual momento, Moro se equilibra, apesar dos movimentos de fritura presidencial, mas é incerto o futuro.

O ministro da Justiça, após ter sido praticamente descartado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) em 2020, segue forte para a disputa presidencial de 2022. Ele tem boa penetração, mesmo em segmentos menos favoráveis ao governo, como estudantes (avaliação positiva de 38%), moradores do Nordeste (40%) e desempregados (45%), entre os quais Bolsonaro tem níveis muito inferiores (19%, 17% e 18%, respectivamente).

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