Editorial A Tribuna

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A urgência das vacinas

O laboratório diz que ofereceu 70 milhões de doses em agosto, mas o governo dormiu no ponto e o Brasil foi para o final da fila

A chegada dos pedidos de uso emergencial das vacinas das parcerias Instituto Butantan/Sinovac e Fiocruz/AstraZeneca/Oxford à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) traz a expectativa da imunização no curto prazo no País. Nos dois casos, a Anvisa tem dez dias para dar uma resposta. Enquanto o primeiro consórcio depende mais da agilidade do órgão para iniciar a distribuição das doses, o segundo ainda está travado pela falta de urgência e inabilidade do Governo Federal em negociar com laboratórios e cuidar até do básico, que é comprar seringas e agulhas. Espera-se que o Ministério da Saúde, com sua expertise no Plano Nacional de Imunização após muitas décadas de excelentes resultados, consiga dar a celeridade técnica que os tempos atuais exigem.

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A equipe conduzida pelo diretor do Butantan, Dimas Covas, demonstra agir de forma coesa e competente, por mais que possa ser prejudicada pela briga política entre o governador João Doria e o presidente Jair Bolsonaro. Dentro de poucos dias, se tudo der certo com a formalização na Anvisa, será hora de acompanhar a eficiência logística do Estado para preparar sua rede de vacinação. Falta ainda uma contundente campanha de convencimento da população, tamanha é a desconfiança espalhada pelo negacionismo de Bolsonaro.

Do lado do Governo Federal, resta correr contra o erro de ter apostado em um só laboratório, o AstraZeneca. Conforme o pedido de uso emergencial pela Fiocruz, o primeiro lote para ser liberado é de apenas 2 milhões de doses, o suficiente para imunizar dois terços dos habitantes de Brasília. A impressão que passa é que se trata de um esforço para mostrar que a campanha federal pelo menos começou, ainda que a imunização em massa demore meses. De acordo com uma ex-integrante do Plano Nacional de Imunização em entrevista à Globonews, uma vez com as vacinas no centro de distribuição em Guarulhos (SP), o material costuma chegar aos postos nas cidades entre três e 15 dias. Portanto, o ponto central é obter os imunizantes junto aos laboratórios, pois há tempos as equipes de saúde já sabem o que fazer com a logística.

O que impressiona é que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, ainda esteja na fase de conversas com a Pfizer. Ele reclama que a empresa quer fornecer poucas doses - 500 mil agora e igual quantidade em fevereiro e 2 milhões em março. Provocado, o laboratório diz que ofereceu 70 milhões em agosto, mas claramente o governo dormiu no ponto e o Brasil foi para o final da fila. Pelo menos 50 países já começaram a vacinação e Israel está próximo de vacinar 20% de toda sua população. Não se trata de derrota política para o governo, mas de perda de vidas. Se a média de óbitos permanecer elevada como nestes dias, é possível que o País some 250 mil mortes e, com base na população atual, proporcionalmente atinja o mesmo patamar de mortalidade da gripe espanhola de um século atrás, uma época com menos recursos de saúde, tecnologia e comunicação.

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