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Sexta-feira

18 de Outubro de 2019

Editorial A Tribuna

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A reforma que o país mais precisa

É uma necessidade econômica que, se for postergada, vai deixar o Brasil mais caro do que já é hoje e desacreditado

A aprovação da reforma da Previdência é o grande passo que o país precisa dar para retomar um processo sustentável de crescimento. O projeto, além de dar previsibilidade às contas do governo e da iniciativa privada, pois define em R$ 1 trilhão a economia de recursos públicos em dez anos, também moderniza o regime de aposentadorias conforme o perfil do trabalhador do século 21 – que vive mais e com qualidade, portanto, tende a consumir mais os recursos do sistema.

Não é uma questão de ser proposta da direita, como a oposição limita esse embate. É uma necessidade econômica que, se for postergada, vai deixar o Brasil mais caro do que já é hoje e desacreditado. Sem os ajustes profundos, investidores, principalmente os internacionais, verão um país como um peso pesado nocauteado. Dessa forma, na disputa internacional por recursos, o Brasil pagará juros mais caros para atrair recursos e continuará nos patamares atuais, de intercalar crescimentos moderados com estagnações e recessões cada vez mais intensas. É o resultado do descrédito em uma nação.

Mas, agora se abre uma chance imensa para os brasileiros, que depende da aprovação final da reforma na Câmara. Dessa forma, fica a forte expectativa de que o tema chegará em agosto ao Senado, onde deve ter um trâmite mais rápido, garantindo a promulgação em meados de setembro, conforme previsões de servidores do Congresso.

Há possibilidade de recuos devido à brutal pressão das corporações defendendo privilégios em detrimento da maioria de trabalhadores que não tem voz no Congresso. Caso mudanças sejam feitas, as partes alteradas e talvez até o todo exijam nova análise na Câmara. Mas, felizmente, há um trabalho intenso por parte dos parlamentares para que se encerre essa discussão, partindo para as outras reformas, em especial atributária.

Apesar de previsível, a atuação contrária da esquerda contra a reforma é decepcionante. Ao invés de combater pontos e apresentar alternativas, alguns partidos da oposição fecharam questão – todos seus deputados ficaram obrigados a votar contra a reforma. Um dos líderes, em pronunciamento na tribuna, chegou a criticar a economia de R$ 1 trilhão, de que esse valor deixará de ser empregado na economia nos próximos dez anos e que haverá recessão. Como se o momento agora não fosse dos piores.

Na verdade, os inimigos da reforma se esquecem que o R$ 1 trilhão não é do governo. Ele deixará de ser captado da sociedade e será revertido em consumo e investimentos. Quando há um rombo (o da Previdência fechou 2018 a quase R$ 300 bilhões), o Tesouro toma emprestado dos investidores, pagando juros e aumentando a bola de neve da dívida pública. Assim, não sobra recursos para a educação e a saúde. Respostas concretas para isso, os inimigos da reforma não dão neste momento.

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