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Quarta-feira

5 de Agosto de 2020

Editorial A Tribuna

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A jornada tecnológica dos portos

Portos do Norte da Europa e do Sudeste Asiático são conhecidos pelas parcerias com universidades e startups

Modernizar os procedimentos nos portos brasileiros, integrando sistemas e digitalizando processos burocráticos é o objetivo de quatro projetos atualmente em desenvolvimento no Governo Federal. A ideia é simples. Utilizar a tecnologia para que atividades como a liberação de cargas de comércio exterior e a autorização da atracação de navios, entre outras, sejam concluídas de forma mais eficiente e, assim, com menor despesa. Consequentemente, com a redução dos custos, cargas de exportação, por exemplo, ganham maior competitividade e podem abrir mais mercados.

São iniciativas essenciais para o desenvolvimento dos portos, de suas cadeias de negócios e, até, das comunidades ao seu redor. E por isso, devem ter o apoio tanto das autoridades como da iniciativa privada, que clama por tais medidas há anos.

Nos principais portos do mundo, quer os norte-americanos e os europeu, quer os do Extremo Oriente, a digitalização de procedimentos, a implantação de plataformas tecnológicas para facilitar o monitoramento das cargas e o incentivo à inovação têm sido os principais passos para que eles continuem crescendo e atraindo cargas. Nesses complexos, que já têm seus gargalos de infraestrutura equacionados, a palavra de ordem é ser um porto inovador, inteligente, um smart port.

Não se trata de modismo, mas de pura estratégia comercial. Ao digitalizarem seus procedimentos e inovarem em suas operações, esses complexos reduzem custos, permitem que seus clientes tenham um maior controle sobre as cargas e diminuem os impactos de suas operações no meio ambiente. E assim, buscam atrair mais cargas e riquezas.

Tais princípios são levados tão a sério que portos do Norte da Europa e do Sudeste Asiático são conhecidos pelas parcerias com universidades e startups e, até, por promover competições de inovações tecnológicas.

O setor portuário brasileiro, que ainda busca resolver seus gargalos de infraestrutura (especificamente, seus acessos), tem buscado modernizar seus procedimentos, especialmente na última década. São iniciativas importantes e que já apresentam ganhos. Desde o início deste século, a Receita Federal tem adotado alta tecnologia para agilizar a fiscalização do comércio exterior e combater o tráfico de drogas. Nos últimos anos, a Vigilância Agropecuária passou a modernizar suas atividades. E a Secretaria Nacional de Portos e Transporte Aquaviários, do Ministério da Infraestrutura, tem investido para melhorar o monitoramento do tráfego aquaviário e do deslocamento terrestre das cargas com destino aos terminais, de modo a otimizar sua logística. 

Todos esses são passos assertivos no caminho do desenvolvimento do setor portuário. Mas muitos outros devem ser dados e com celeridade. Tais ações devem ser um compromisso do poder público e do setor privado. Em jogo, está o próprio desenvolvimento da economia do País.

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