(Reprodução) A Petrobras obteve do Ibama, na segunda-feira, a aprovação de seu plano para a proteção da fauna da Foz do Rio Amazonas, próximo à região de alto potencial para a confirmação de grandes reservas petrolíferas. O aval que o Ibama concedeu se refere apenas ao projeto da estatal para socorrer o meio ambiente em caso de derramamento de óleo. A licença final vai depender de uma simulação com 400 profissionais a serviço da petrolífera, embarcações, helicópteros e sonda para avaliar a capacidade de reação da empresa. Entretanto, todo esse processo tem contornos paralelos bem amplos, como uma incrível pressão política do Palácio do Planalto, da Petrobras e das lideranças do Amapá sobre o Ibama e ambientalistas, que são contra o investimento. Além disso, em novembro, as Nações Unidas realizam do outro lado da foz, em Belém (PA), a COP30, conferência que discutirá medidas contra as mudanças climáticas – entre elas, trocar os combustíveis fósseis das petrolíferas por energias renováveis. O caso do Amapá representa um choque do discurso de sustentabilidade do governo com a realidade da economia e os interesses políticos do Planalto. Aliás, essa região é vista como salvação do País, pois o pré-sal deve se esgotar na próxima década. Para ambientalistas, o certo seria não abrir mais nenhum poço de petróleo no mundo, mas a transição para meios menos poluentes se revelou mais lenta e o mundo está longe de deixar de depender do óleo. As autoridades têm tentado até usar mais o nome do Amapá do que Foz do Rio Amazonas ou chegaram a afirmar que a região a ser explorada é distante das áreas ameaçadas – os locais de produção ficam a 175 km da costa do Amapá e a 500 km da foz. Porém, reportagem do portal g1 mostra que em 2016 foram achados recifes de corais, que podem estar espalhados do mar da Guiana Francesa até o Amapá, Pará e Maranhão. O Amapá também tem extensos manguezais, que protegem as várzeas do estado ou a costa contra grandes ondas. Toda essa diversidade apresenta árvores de elevado porte, animais ameaçados de extinção e aves que fazem seus ninhos por lá, além de berçários de peixes, crustáceos e camarões. Por último, 13 mil indígenas vivem em 56 comunidades no estado, dependendo da natureza para seu sustento. Portanto, a Petrobras terá que aplicar não apenas plano contra acidentes, mas convencer que não os deixará acontecer. Basta lembrar do estrago das manchas de óleo nas praias nordestinas, entre 2019 e 2020, causadas por apenas um petroleiro, conforme a Polícia Federal. Com o mundo ainda consumidor de combustíveis fósseis, não dá para acreditar que algum governo deixará aquela região intocada. É preciso admitir que os riscos sempre serão elevados, exigindo um custoso plano preventivo. É evidente que a movimentação de embarcações e aviões, as instalações de equipamentos e a circulação dos trabalhadores também causarão importante impacto na natureza.