(FreePik) O Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, lembrado em 10 de setembro, é mais do que uma data no calendário da saúde pública. É um chamado urgente à responsabilidade coletiva diante de um problema que segue em ritmo alarmante. Embora não haja dados oficiais, há uma estimativa feita pela própria Organização Mundial da Saúde de que mais de 700 mil pessoas se suicidam todos os anos. No Brasil, trabalha-se com a média superior a 30 suicídios por dia. Ainda que campanhas como o Setembro Amarelo tenham contribuído para romper o silêncio em torno do tema, o país precisa avançar em uma frente decisiva: a capacitação da rede pública de pronto-atendimento e a intensificação de programas que auxiliem setores-chave da sociedade a identificar sinais e promover o encaminhamento e o suporte necessário aos primeiros sinais. Hospitais gerais e unidades de emergência são, frequentemente, a primeira porta que recebe alguém em crise. No entanto, médicos e equipes de enfermagem nem sempre possuem treinamento adequado para identificar os sinais de risco e encaminhar o paciente a um atendimento especializado. Essa lacuna resulta, muitas vezes, em um ciclo de idas e vindas sem acompanhamento efetivo. É preciso compreender que a prevenção do suicídio não se limita à esfera individual, mas depende de políticas públicas consistentes. Formar profissionais para a escuta, criar fluxos de encaminhamento dentro do Sistema Único de Saúde e garantir acesso rápido a profissionais capacitados são medidas que salvam vidas. Outro ponto que merece atenção especial é o público jovem. Estudos e relatos indicam que adolescentes e jovens adultos enfrentam índices preocupantes de depressão e ansiedade. Segundo dados da Secretaria de Vigilância em Saúde divulgado pelo Ministério da Saúde em setembro de 2022, entre 2016 e 2021 houve um aumento de 49,3% nas taxas de mortalidade de adolescentes de 15 a 19 anos, chegando a 6,6 por 100 mil, e de 45% entre adolescentes de 10 a 14 anos, chegando a 1,33 por 100 mil.Nesses casos, a escola, a família e os serviços de saúde precisam agir de forma articulada, rompendo a lógica da culpabilização e criando redes reais de apoio. Nesse contexto, iniciativas como o trabalho desenvolvido pelo Centro de Valorização da Vida (CVV) tornam-se fundamentais. O serviço gratuito, disponível pelo telefone 188, oferece escuta qualificada e sigilosa, 24 horas por dia. Na maioria das vezes, essa conversa representa o primeiro sopro de esperança para quem já não enxerga saída. Mas o CVV, por mais relevante que seja, não pode atuar isoladamente: é necessário que o Estado ofereça suporte institucional e que a sociedade compreenda a gravidade do problema. Conscientizar sobre esse tema passa, antes de tudo, por falar sobre sem tabus ou preconceito. Setembro é o mês do ano dedicado a intensificar esse debate, mas a redução dos casos só se dará, efetivamente, se a temática permanecer na pauta da sociedade durante todo o ano.