Brasil poderá exportar carne bovina e derivados para Suriname (Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil) No momento em que o País está sob a mira do jogo pesado da diplomacia comercial dos Estados Unidos, a União Europeia confirmou a proibição da importação de carnes no Brasil, que entrará em vigor em 3 de setembro. Segundo a UE, se o bloco faz exigências sanitárias rigorosas de seus produtores rurais, por que não fariam o mesmo em relação ao que é importado? Porém, intriga a iniciativa da UE de tomar essa medida somente após o início provisório do acordo de livre-comércio com o Mercosul. Por isso, ganhou força a percepção de que os europeus praticaram protecionismo disfarçado de barreiras sanitárias. Ainda mais porque o veto à proteína animal brasileira vai demorar quase três meses para valer, o que se conclui que não é emergencial. A Comissão Europeia, braço executivo da UE, afirma que o País não conseguiu comprovar que seus produtores não utilizam medicamentos antimicrobianos contra infecções nos animais. O governo brasileiro proibiu parte desses antibióticos utilizados para estimular o crescimento, sem conseguir convencer os europeus. As entidades que representam a pecuária nacional alegam que o Brasil tem um sistema de inspeção e defesa robusto, dificultando o avanço de doenças que ocorrem regularmente em outros países. Entretanto, a UE não atacou toda essa rede de proteção, mas especificamente um ponto dessa cadeia, restando ao Brasil cumprir exatamente o que a UE pretende. Trata-se de um desafio, pois o Brasil tem dimensões continentais e é o maior produtor mundial, superando Estados Unidos e China, fiscalizando o cumprimento de exigências de 170 países. A UE afirma que o Brasil voltará a exportar carnes, tripas, peixe e mel assim que comprovar que seguiu sua exigência. Mas, quanto mais esse período de suspensão demorar, maior será o prejuízo nacional. No ano passado, o Brasil vendeu US\$ 1,8 bilhão em carnes à UE, que consumiu 5,7% da produção brasileira. Com esse volume, a decisão europeia pode criar um problema para o consumidor do bloco, o aumento de preços pela eventual ausência das carnes do Brasil. Essa possibilidade aumenta ainda mais com a China ampliando suas compras conforme aumenta a renda média de sua população. Já os EUA estão passando por um decréscimo de sua produção, fazendo o país importar mais. Agora, a diplomacia comercial brasileira precisa se concentrar nesse caso, que envolve cifra bilionária. Ao mesmo tempo, os técnicos do Brasil tentam convencer os EUA a negociarem o novo tarifaço, que, na prática, causa mais prejuízos à indústria do que ao agronegócio. Paralelamente, é preciso monitorar a China, pelo volume de suas importações e por fazer cobranças sanitárias pontuais, suspendendo frigoríficos específicos. Por último, há outros acordos comerciais em discussão, que precisam ser bem debatidos para garantir a abertura de portas sem tarifas aos produtos nacionais. São desafios simultâneos que precisam ser superados.