O encerramento do projeto COP Portos Sustentáveis, promovido pelo Grupo Tribuna e concluído na última semana, marca um passo simbólico e estratégico na jornada brasileira em direção a um futuro de baixo carbono. Ao reunir autoridades, gestores portuários, empresas, pesquisadores e representantes da sociedade civil em três encontros — Paranaguá, Suape e Santos —, o projeto consolidou uma proposta técnica e jurídica que será encaminhada à COP30, em Belém, no próximo mês de novembro. Mais do que um ciclo de debates, tratou-se de um chamado para enfrentar, com realismo e ousadia, os desafios ambientais de um setor vital para a economia nacional: a atividade portuária. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Portos são pontos nevrálgicos do comércio internacional, responsáveis por escoar a maior parte das riquezas que circulam no planeta. Mas também são grandes emissores de gases de efeito estufa, pressionando ainda mais um clima global já em desequilíbrio. Por isso, discutir a descarbonização do setor portuário no contexto das mudanças climáticas não é apenas pertinente: é urgente. Há bons exemplos a se destacar. No Brasil, o Porto de Paranaguá já realiza inventário de carbono e adota medidas de eficiência energética. Iniciativas comunitárias, como a “Troca Solidária”, unem impacto social à agenda ambiental. No Porto de Santos, discute-se a padronização da medição de emissões de gases de efeito estufa, uma demanda essencial para dar consistência às metas de redução. No mundo, portos como Roterdã, Hamburgo e Los Angeles avançam em projetos de eletrificação de equipamentos, abastecimento de navios com combustíveis alternativos e criação de corredores verdes de navegação. São práticas que demonstram a viabilidade da transformação e que precisam ser compartilhadas, adaptadas e replicadas. A transição para portos mais limpos exige, contudo, mais do que boa vontade ou iniciativas isoladas. É indispensável o investimento contínuo em infraestrutura verde, tecnologias de baixo carbono, qualificação de mão de obra e mecanismos regulatórios que deem segurança jurídica a quem deseja investir. O setor privado tem papel decisivo, mas o setor público deve assumir a liderança, criando políticas estáveis, fomentando pesquisas e garantindo a integração dos portos brasileiros às metas globais de sustentabilidade. A descarbonização portuária é, em última instância, um esforço coletivo. Exige que governos, empresas e sociedade caminhem juntos, conscientes de que os portos não podem ser apenas corredores de riqueza, mas também portões de responsabilidade ambiental. O documento consolidado pelo COP Portos, ao ser levado à COP30, será mais do que uma contribuição técnica: será um testemunho do compromisso brasileiro em alinhar desenvolvimento econômico com preservação climática. Não se trata de projeto utópico, mas de um conjunto de ações urgentes e necessárias, que deve seguir adiante e servir de modelo para outros segmentos da economia do País.