Cida Coelho

É fonoaudióloga formada pela PUCSP, especialista em Voz com larga experiência na preparação de repórteres e apresentadores de televisão. Atua como consultora em Comunicação Humana ministrando palestras e treinamentos individuais para profissionais liberais, empresários, políticos, atletas profissionais, executivos e equipes de liderança. É palestrante de Media Training para porta-vozes de empresas e atua como consultora da TV Tribuna, afiliada da Rede Globo em Santos, desde 1995. Acumulando os títulos de mestre e doutora, Cida também foi professora universitária durante 25 anos.

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Usar jargões é sinal de insegurança, não de inteligência

Saiba quando é o momento certo para usar jargões, sem que eles interfiram na comunicação

Jargões não costumam ser a melhor ferramenta de comunicação, mas  servem para facilitar a comunicação interna entre membros de um mesmo nicho de conhecimento. São termos ou abreviações restritos a uma determinada área que, se por um lado facilitam a conversa entre seus membros, dificultam a compreensão de quem é de fora. Dessa forma, todo cuidado é pouco com o uso de jargões, já que eles podem se tornar uma grande barreira de comunicação. 

O problema é que, às vezes, quem usa jargões tem exatamente essa intenção: criar uma barreira para demonstrar que são possuidores de um conhecimento inacessível aos outros. Isso lhes confere poder: num primeiro momento são reconhecidos como grandes conhecedores de um tema, elegantes e profundos. Por conta disso, quem usa jargões com essa intenção vê, equivocadamente, apenas vantagens e não questiona as possíveis desvantagens.

Um recente artigo, publicado pelo portal Inc (clique aqui para ler https://www.inc.com/jessica-stillman/language-jargon-hiring.html) lança luz a esse tema e, de uma certa forma, coloca por terra,  definitivamente qualquer função positiva dos jargões. A reportagem faz referência a um estudo realizado em parceria entre  Columbia e University of Southern Califórnia, (clique aqui para ler o estudo em inglês https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0749597820303666) publicado em novembro 2020, cujo título  é:  “Comunicação conspícua compensatória: o status baixo aumenta o uso de jargões”.

Os autores investigaram uma série de nove estudos. Em um desses estudos, pediram a estudantes de MBA que apresentassem oralmente um projeto de startup para uma competição de ‘pitches’. Para um grupo, informaram que eles estariam competindo com empreendedores de alto nível. Ao outro grupo, disseram que competiriam com alunos de graduação, com nível competitivo mais baixo. E olha só essa conclusão: o grupo que apresentou seu pitch para empreendedores de alto nível usou muito mais jargões do que o que apresentou para alunos de graduação. Em outras palavras, quanto maior o status dos adversários, mais jargões os estudantes de MBA usaram.

Essa conclusão só confirma a sensação que temos ao ouvir alguém falando em “juridiquês”, “economês” ou “tecniquês”:  jargões prestam um desserviço, já que nada acrescentam e ainda confundem quem ouve.  Portanto, se você vem de uma área técnica, e não pretende criar barreiras desnecessárias, terá que construir a habilidade de ser  poliglota na própria língua.  Fique atento à sua comunicação e também a da sua equipe:

1. Faça uma auditoria linguística no seu ambiente de trabalho – algumas palavras e expressões são tão usadas e batidas que acabam perdendo sentido ou enfraquecendo sua força. Analise isso nas suas palavras faladas e também nas escritas.

2. Certifique-se de que os  jargões não saiam do seu ambiente interno. 

3. Não se iluda com palavras sofisticadas. Qualquer conteúdo pode (e deve) ser “traduzido” de forma simples para leigos, sem perder o sentido original.

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