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Sábado

11 de Julho de 2020

Cida Coelho

É fonoaudióloga formada pela PUCSP, especialista em Voz com larga experiência na preparação de repórteres e apresentadores de televisão. Atua como consultora em Comunicação Humana ministrando palestras e treinamentos individuais para profissionais liberais, empresários, políticos, atletas profissionais, executivos e equipes de liderança. É palestrante de Media Training para porta-vozes de empresas e atua como consultora da TV Tribuna, afiliada da Rede Globo em Santos, desde 1995. Acumulando os títulos de mestre e doutora, Cida também foi professora universitária durante 25 anos.

Tá ruim, mas sempre pode piorar

Seja dentro da família ou no trabalho, a maneira como conduzimos uma situação difícil e que envolve outras pessoas será definitiva para amenizar ou piorar muito as coisas

A pandemia nos trouxe várias más notícias de uma vez só. Tivemos que nos adaptar rapidamente a um novo modo de nos comunicar, de nos relacionar, de trabalhar, de cuidar da casa, de fazer compras. Felizmente, nosso cérebro é capaz de se reprogramar e se readequar a novas situações. Claro que isso tem um custo. É mais fácil para uns, mais difícil para outros. Mas, quando uma situação ruim se prolonga, tudo o que ninguém quer é que ela piore, certo?  

A essa altura, com mais de dois meses de distanciamento social, já deu pra perceber que dá pra piorar, sim. Que muito sofrimento teria sido evitado se a condução de determinadas situações tivesse sido melhor. Fique tranquilo que não falaremos de política. Nosso ponto aqui  é  comunicação. A maneira como conduzimos uma situação difícil e que envolve outras pessoas , é decisiva para amenizar ou piorar muito as coisas. 

Sempre que interagimos com outras pessoas, nossos cérebros e corpos reagem aos sentimentos daqueles que nos rodeiam. Isso acontece por conta de circuitos neurais denominados “neurônios-espelho”. Eles são responsáveis pelo que os pesquisadores chamam de “contagio emocional”. 

Esse conceito de  “contágio emocional” é extremamente importante pra nós e acontece com frequência  tanto em casa quanto no trabalho. Quando, por exemplo, somos injustamente maltratados estamos sendo vitimas de alguém sob efeito de “contagio emocional”. Nessas horas, costumamos dizer: “Por que você está descontando a sua raiva em mim?”  O “contágio emocional” é muito frequente também, no ambiente de trabalho. Quer ver um exemplo? Se eu chego para uma reunião ainda sob efeito emocional do compromisso anterior há grandes chances das minhas palavras piorarem uma situação. Igualmente, se eu estou numa reunião, mas com a cabeça no próximo compromisso tenho grandes chances de agir de forma negativa. 

Nessa hora, os pesquisadores na área de psicologia recomendam varias estratégias, das quais eu destaco duas que acho importantes para a comunicação: 

Monitore a suas expressões faciais: Uma expressão carrancuda perpetua um sentimento de rancor. Na medida em que você relaxa seu rosto e esboça um sorriso, você facilita o disparo de emoções positivas e abre o caminho para uma boa comunicação.  

Jamais fale sob forte emoção: É duro admitir, mas o velho conselho de “contar até 10” é muito útil quando se trata de comunicação. Alguns autores afirmam, inclusive, que diante de uma situação crítica, é melhor aguardarmos ao menos 20 minutos. Esse é o tempo que nosso corpo leva para processar a onda de adrenalina disparada por fortes emoções. 

E lembre-se: como dissemos no inicio, nosso cérebro é capaz de se reprogramar e se readequar a novas situações. Somos capazes de conduzir nosso humor e nossas emoções para construir pontes em nossas comunicações. Podemos ser protagonistas de um final feliz, depois que a pandemia passar.

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